O novo CEO do Uber, Dara Khosrowshahi, anunciou nesta quarta-feira (30) que a empresa pretende abrir seu capital e que, se tudo sair como planejado, isso deve acontecer na segunda metade de 2019.

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Khosrowshahi mencionou o prazo previsto para a oferta pública inicial (IPO, na sigla em inglês) em uma entrevista à CNBC e reiterou a data enquanto estava no palco da Code Conference do Recode, na noite de quarta-feira. Na ocasião, ele disse que o Uber quer ser a “Amazon do transporte”.

Durante a conversa com a CNBC, o CEO do Uber disse que a companhia está “no caminho” para realizar o IPO em 2019. No entanto, a empresa ainda precisa começar a discussão com bancos que irão facilitar a iniciativa. “Estamos em uma boa posição em termos de perfil de empresa, em termos de lucratividade e margens para continuar a melhorar nossos negócios”, disse ele.

A ambição de se tornar a Amazon do transporte provavelmente tem a ver com o sucesso da empresa em categorias adjacentes ao negócio principal.

Segundo Khosrowshahi, o serviço de entrega de comidas, o UberEats, alcançou uma taxa de execução de US$ 6 bilhões (uma projeção que coloca em anos dados de um curto período de tempo) e crescimento de mais de 200%.

O CEO também imagina um futuro em que o Uber será a plataforma para outros serviços, como transporte público e aluguel de bicicletas.

“Seja pegando um carro, seja pegando uma carona, uma bicicleta ou que você precise andar, queremos aumentar a capacidade para que as pessoas peguem um ônibus ou metrô”, disse Khosrowshahi à CNBC. “Queremos ser a plataforma para o transporte.”

Khosrowshahi tem tentado apresentar a parte mais suave do Uber, tentando amenizar as manchas deixadas pelo ex-CEO e atual membro do conselho da companhia, Travis Kalanick. Durante a Code Conference, Khosrowshahi insistiu que o Uber é “um tipo diferente de empresa” e que “virou a página” com a nova liderança.

Ele disse que quando chegou, algumas pessoas na empresa estavam “focadas no controle, e não no sucesso”, e que foram realizadas as mudanças necessárias na cultura da empresa. “Se começarmos a fazer a coisa certa […] uma hora o mundo vai notar”, comentou.

Khosrowshahi até pode ter uma presença mais agradável, mas o Uber está longe do ideal. No início desta semana, reportagens apontaram que a empresa está tentando impedir que algumas mulheres iniciem uma ação coletiva na justiça por supostamente terem sido abusadas sexualmente por motoristas do Uber. Além disso, novas acusações contra motoristas aparecem regularmente.

O novo CEO também não é nenhum santo: ele sabia de um grande vazamento de dados, que afetou 57 milhões de passageiros e motoristas, mas segurou a informação por um bom tempo, até que ela se tornou pública. Ele ainda usa a narrativa de que os motoristas são parceiros do Uber e que são “seus próprios chefes” – apesar disso, o plano da empresa é continuar os testes com carros autônomos (apesar do acidente fatal) e no futuro licenciar a tecnologia – que supostamente teve elementos roubados da Waymo, de propriedade do Google.

[CNBC]

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