Em setembro de 2017, o Uber perdeu a sua licença para operar em Londres por causa de uma decisão do órgão governamental Transport for London (TfL), que decidiu que a empresa “não estava apta a manter uma licença de operação”. Agora, a companhia ganhou um indulto temporário em sua batalha contra os reguladores britânicos.

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De acordo com o Quartz, o Uber conseguiu obter uma licença probatória que se estenderá por mais de um ano se concordar em pagar os “custos” de investigações da TfL e autorizar um período de auditoria de seis meses:

Um tribunal de magistrados em Londres considerou que a empresa estava “apta” a receber uma licença experimental por 15 meses, em vez da licença de cinco anos inicialmente solicitada. O tribunal concedeu a licença depois que o Uber concordou em ser auditado e pagar £ 425.500 em custos para a Transport for London (TfL), a autoridade de trânsito local.

Tom Elvidge, gerente geral do Uber no Reino Unido, disse que a companhia estava contente com a decisão. “Vamos continuar trabalhando com o TfL para resolver todas as preocupações e ganhar confiança, ao mesmo tempo que ofereceremos o melhor serviço possível para nossos consumidores”, disse ele em um comunicado.

A TfL revogou a licença do Uber em 2017 em meio a uma série de acusações de má conduta da companhia, incluindo verificações brandas dos motoristas, a forma como a empresa estava lidando com acusações criminais e o uso do Greyball, um software que identificava quando fiscais chamavam Ubers e os enganava com uma versão falsa do aplicativo.

Na época em que a decisão foi feita, o CEO do Uber, Dara Khosrowshahi, que substituiu o fundador Travis Kalanick, admitiu que a companhia precisava se entender melhor com as autoridades locais e “que havia um preço alto a ser pago pela má reputação”, como mostram e-mails obtidos pelo New York Times.

Como o jornal apontou, a disputa pela licença em Londres também envolveu grandes tensões entre os motoristas super treinados dos tradicionais táxis pretos, que são, em sua maioria, brancos, e as dezenas de milhares de motoristas do Uber, muitos deles imigrantes recentes.

O Uber nunca encerrou suas operações em Londres, pois tinha permissão para funcionar durante o processo de apelação. Além das sanções e da auditoria, o Uber basicamente assumiu a culpa em todas as acusações e prometeu implementar mudanças:

O Uber concordou em colocar novas lideranças em Londres, adotar regras para relatar incidentes à polícia, manter motoristas cansados fora de serviço e compartilhar dados de tráfego com a cidade.

[…] Os responsáveis foram repreendidos por casos em que acusações de abusos sexuais cometidos por motoristas não foram reportados à polícia. E foram criticados por um vazamento de dados que expôs milhões de consumidores e que também não foi relatado para as autoridades durante meses.

Em cada caso, os representantes da empresa assumiram a culpa e destacaram as mudanças feitas pelo Sr. Khosrowshahi para tratar essas questões.

A juíza Emma Arbuthnot disse no tribunal que o Uber foi penalizado por “uma postura arriscada” e que a questão agora é verificar “se o Uber pode ser confiável” sob as novas lideranças.

O acordo mantém o Uber em um mercado super lucrativo, mas a expansão agressiva da companhia no exterior parece ter atingido uma barreira face à concorrência e aos inimigos, cada vez mais numerosos.

Recentemente, a empresa vendeu a sua operação no Sudeste Asiático para a concorrente Grab, o que deixou alguns reguladores bem insatisfeitos. Além disso, o presidente turco, Recep Tayyip Erdogan, declarou intenção de deixar a companhia fora do país.

Nos últimos dois anos, o Uber deixou o mercado chinês e russo livres para concorrentes locais; de maneira geral, a empresa tem travado batalhas com reguladores em vários outros países, às vezes deixando de funcionar por um tempo ou de forma permanente.

[Quartz/New York Times]

Imagem do topo: Getty Images