O apogeu do pager já passou há muito tempo, mas os próprios dispositivos continuaram sendo utilizados para fins especializados, como por equipes de busca e salvamento e trabalhadores de emergência. No Japão, no entanto, os sinos fúnebres estão oficialmente tocando.

Segundo uma reportagem recente no Japan Times, a Tokyo Telemessage Inc., último provedor de serviços de pager do país, cortará os 1.500 usuários restantes dos aparelhos (alguns dos quais são funcionários em hospitais que os usam porque eles não emitem ondas eletromagnéticas) até setembro de 2019.

Outros usuários dos dispositivos incluem pessoas mais velhas relutaram em parar de usar a tecnologia, segundo a CNN, já que mais de 20% da população japonesa tem mais de 65 anos. O Japão é um centro de alta tecnologia, mas muitos gadgets mais antigos, como as máquinas de fax, continuam em uso comum — uma curiosidade às vezes atribuída, em parte, a abordagens conservadoras de modernização em seu setor não manufatureiro. O ministro de Segurança Cibernética do país, Yoshitaka Sakurada, de 68 anos, admitiu recentemente que não usa computadores, com a desculpa de que tais tarefas são realizadas por subordinados. Como a Agence France-Presse apontou, alguns observadores internacionais ficaram perplexos ao ver o primeiro-ministro Shinzo Abe tomar conhecimento de um míssil norte-coreano que sobrevoou o país por meio de seu celular de flip (e o governo dos EUA, como outro exemplo, ainda usa Blackberries, COBOL e disquetes).

Segundo oO Japan Times, o presidente Hidetoshi Seino disse que a empresa vai iniciar um novo serviço de rádio nas frequências utilizadas pelos dispositivos de resposta a desastres e serviços de socorro. O jornal também lembrou o auge do pager no Japão, que atingiu seu ápice em meados da década de 1990 e se tornou particularmente popular entre estudantes do ensino médio — especificamente, as garotas:

Por exemplo, o recurso permitia que os usuários enviassem mensagens numéricas curtas, como “0840”, que, no idioma japonês, pode ser pronunciado como “ohayō” (bom dia). Outras mensagens seguindo este padrão incluem “0833”, ou “oyasumi” (boa noite), e “0906”, ou “okureru” (vou chegar atrasado).

Esses dispositivos sem fios também apareceram em séries de TV e músicas naquele tempo, tornando-se um símbolo da época.

O número de assinantes do serviço de pager atingiu um pico de 10,61 milhões em 1996. Mas, por volta dessa época, o uso de telefones celulares aumentou, suplantando os beepers. Um provedor atrás do outro encerraram seus serviços nos anos seguintes.

Os outros últimos provedores de serviços de pager restantes no Japão, a NTT Docomo Inc. e a Okinawa Telemessage, cortaram os dispositivos em 2007 e 2017, respectivamente. Segundo a CNN, a Tokyo Telemessage fabricou seus últimos pagers há 20 anos.

Entretanto, o Japão está longe de ser a única nação em que o pager perdurou.

Segundo a BBC, estima-se que um décimo dos pagers restantes no mundo (130 mil) esteja sendo usado pelo Serviço Nacional de Saúde do Reino Unido (NHS) para fins de emergência, o que já foi criticado como um desperdício de dinheiro, em uma conta de US$ 8,4 milhões anualmente. Apenas uma operadora, a PageOne, continua operando no Reino Unido. Uma reportagem de 2013 na Fortune apontou que os dispositivos ainda eram relativamente comuns em alguns hospitais dos EUA, pois não eram afetados por redes de telefonia celular sobrecarregadas durante emergências ou por perda de sinal no fundo de estruturas densas.

[Japan Times]