Auroras acontecem de acordo com a vontade da natureza, e não dos seres humanos, e em parte é isso que dá a elas um ar tão misterioso. Mas vamos lá, estamos no século 21. Por que estamos esperando tanto? Então eis uma ideia maluca revivida por um artigo de Mark Zastrow na Eos: vamos criar um acelerador de partículas para termos auroras sempre que quisermos.

Quando falo em “nós”, claro que quero falar em cientistas, que escreveram um artigo teórico com um modelo de acelerador de partículas que consegue disparar feixes de elétrons no espaço. Pesquisadores de Stanford e do SRI International trabalharam nas especificações para o COMPASS, ou o Acelerador de Partículas Compacto para Ciência Espacial, na sigla em inglês.

Um acelerador de partículas espacial conseguiria ativar auroras artificiais

Para deixar tudo claro, o COMPASS não existe, e o artigo publicado há alguns meses no Journal of Geophysical Research não fala das muitas dificuldades logísticas de construir um acelerador de partículas no espaço. O dispositivo seria realmente potente. A NASA já conseguiu mandar para o espaço dispositivos capazes de disparar feixes muito potentes. Mas para gerar uma aurora boreal seria necessário algo muito mais potente do que isso — com capacidade de lançar feixes com partículas na casa dos 10 milhões de elétron-volt.

No entanto, ele destaca como uma máquina dessas poderia funcionar, dando a cientistas uma nova ferramenta para estudar como as partículas se comportam no campo magnético da Terra. Eis a explicação de Zastrow na Eos:

Muito acima da superfície da Terra, elétrons de alta energia e íons chovem na atmosfera em espiral ao longo das linhas do campo magnético do planeta. Quando eles atingem a parte superior da atmosfera, eles podem excitar ou ionizar moléculas de nitrogênio e oxigênio para produzir demonstrações de auroras brilhantes. No entanto, uma maneira de estudar esse comportamento com ainda mais detalhes é ao injetar elétrons artificialmente com um acelerador de partículas espacial.

É isso o que Marshall considera em um novo estudo, que usa simulações de computadores para explorar as capacidades de um acelerador de partículas pequeno, mas potente, posicionado a uma altitude de 300km, mirando a atmosfera.

Caso você queira ler mais sobre o assunto, pode ir ao Eos conferir o artigo completo de Zastrow — em inglês. O estudo completo pode ser lido no Journal of Geophysical Research.

Imagem de destaque: SurangaSL/shutterstock