No livro Rework, da 37signals, os autores dizem que empreendedores devem abraçar a ideia de “menos massa”. Que, no começo, “você é o menor, mais esguio e ágil que poderá ser. Daí para frente, você começará a acumular massa. E quanto maior é um objeto, mais energia é preciso para mudar sua direção.”

A Microsoft deve ter gasto umas duas vidas em energia para mudar a direção, mas fez: Ballmer anunciou, há pouco, uma nova Microsoft. Uma Microsoft.

Essa mexida nos bastidores já era esperada e, em uma longa carta, Ballmer explica os detalhes dessa guinada. A ideia básica, porém, é bem clara: integração e velocidade.

O que o CEO da Microsoft quer é trazer para a organização interna da empresa a sinergia que começamos (e esperamos!) a ver nos produtos da casa. E isso é grande para a Microsoft, cujo histórico é de rivalidade e pouca cooperação entre as equipes internas — aqueles organogramas de empresas de tecnologia, mostrando os times da Microsoft apontando armas uns para os outros, dá uma ideia da situação.

Na prática, Ballmer concentrou mais atribuições a pessoas-chave da Microsoft e demarcou com mais clareza o que cada uma fará:

  • Julie Larson-Green, que até então respondia pelo Windows (ela substituiu Steven Sinofsky), agora é responsável pelo hardware da Microsoft e pelas áreas de entretenimento;
  • Terry Myerson, antes à frente da divisão de Windows Phone, agora alcança todos os sistemas operacionais para clientes domésticos;
  • Satya Nadella, que alguns acreditam ter potencial para suceder Ballmer, está à frente de qualquer coisa que diga respeito a desenvolvimento na nuvem (Windows Azure) e servidores.

No total são 12 grupos/times, cada um com um líder. Dentro deles, cada iniciativa grande, que impacte outras áreas, terá um “campeão” que se comunicará diretamente com Ballmer.

Esse realinhamento foi feito para viabilizar a nova postura da Microsoft. Não faz muito tempo que o foco mudou: agora é em dispositivos e serviços. E na Build, no final de junho, Ballmer disse que a Microsoft entrava em uma nova fase, com ciclos de produtos mais ágeis, coisa que já vemos com o Windows 8/8.1 e que deverá, se tudo correr bem, virar regra por lá.

No papel é tudo muito empolgante e o prognóstico é dos melhores: mais agilidade costuma se traduzir em desenvolvimento acelerado e respostas mais prontas a mudanças no cenário tecnológico — em vez de esperar um, dois anos para uma nova tecnologia ser implementada no Internet Explorer, por exemplo, ela pode ser liberada em uma atualização menor.

Resta saber se a Microsoft, que desde a sua criação calcou seu sucesso em ciclos espaçados e bem definidos, se sairá bem nesse novo mundo. Leia a carta de Ballmer, na íntegra (e em inglês), no link a seguir: [Microsoft]