A primeira vacina humana contra a doença viral, e muitas vezes fatal, ebola é agora uma realidade. Nesta segunda-feira (11), a União Europeia aprovou uma vacina, desenvolvida pela empresa farmacêutica Merck, chamada Ervebo.

O processo de aprovação do Ervebo teve início em outubro, quando um comitê reunido pela Agência Europeia de Medicamentos (EMA) recomendou uma autorização condicional de comercialização para a vacina pela UE. São concedidas autorizações condicionais de comercialização a novos medicamentos ou terapias que atendam a uma “necessidade médica não tratada” dos pacientes. Esses medicamentos são aprovados em um cronograma mais rápido que o novo medicamento típico e requerem menos dados de ensaios clínicos para serem coletados e analisados ​​para aprovação.



No caso de Ervebo, no entanto, os dados até agora parecem ser extremamente positivos. Em abril, a Organização Mundial da Saúde revelou os resultados preliminares de seus testes de “vacinação em círculo” (estratégia utilizada para inibir a disseminação de uma doença vacinando apenas aqueles mais propensos a serem infectados) com Ervebo durante o atual surto de ebola na República Democrática do Congo. Das quase 100.000 pessoas vacinadas até aquele momento, menos de 3% desenvolveram o ebola. Esses resultados, juntamente com os ensaios anteriores que datam do histórico surto de ebola em 2014-2015, que matou mais de 10.000 pessoas, garantiram a aprovação de Ervebo pelo comitê.

“Encontrar uma vacina o mais rápido possível contra esse terrível vírus é uma prioridade para a comunidade internacional desde que o ebola atingiu a África Ocidental há cinco anos”, disse Vytenis Andriukaitis, comissário responsável pela Saúde e Segurança Alimentar da Comissão Europeia da UE em um comunicado anunciando a aprovação. “A decisão de hoje é, portanto, um grande passo para salvar vidas na África e além”.

Embora os direitos de marketing do Ervebo sejam detidos pela Merck, ele foi originalmente desenvolvido por pesquisadores da Agência de Saúde Pública do Canadá, que ainda mantêm direitos não comerciais.

A aprovação da vacina, por mais significativa que seja , não mudará de maneira tangível as coisas na prática tão cedo. Em outubro, a OMS havia afirmado que doses licenciadas de Ervebo não estarão disponíveis para o mundo até meados de 2020. Enquanto isso, as pessoas em áreas vulneráveis ​​ainda terão acesso à vacina por meio do atual programa experimental. Embora a Merck também tenha submetido o Ervebo à aprovação da Food and Drug Administration nos EUA, a decisão final da agência não é esperada até o próximo ano.

Embora o Ervebo possa ser uma vacina altamente eficaz, os maiores obstáculos para conter o atual surto de ebola foram estruturais. Os profissionais de saúde pública têm se esforçado para tratar e vacinar comunidades vulneráveis ​​em meio à guerra armada no país e, ocasionalmente, foram alvo de violência. A vacina também é aprovada apenas para maiores de 18 anos para proteger contra o ebola Zaire, o subtipo mais comum do vírus perigoso para as pessoas.

De agosto de 2018 a outubro deste ano, foram registrados mais de 3.114 casos confirmados e 2.123 mortes, e a crise do ebola continua sendo uma emergência internacional de saúde pública.