Um novo estudo de revisão realizado na terça-feira tem uma conclusão preocupante para as mulheres grávidas: o consumo de álcool aumenta o risco de o bebê nascer com problemas cognitivos e baixo peso.

Agências de saúde pública, como os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês), recomendam há muito tempo que as mulheres evitem beber álcool em qualquer momento da gravidez, citando o aumento do risco da chamada síndrome do alcoolismo fetal. Esses distúrbios têm uma variedade de sintomas, desde dificuldades de aprendizado até problemas cardíacos, pulmonares e ósseos.

Mas muitas das evidências que mostram os danos do álcool aos fetos humanos são observacionais, o que significa que os estudos acompanham grupos de pessoas ao longo do tempo no mundo real. Esses estudos, por mais importantes que sejam, não podem provar uma relação direta de causa e efeito. Ainda há dúvidas sobre se o uso de álcool leve, particularmente mais tarde na gravidez, apresenta algum risco real à saúde.

Para entender melhor o assunto, os autores da nova revisão, publicada no International Journal of Epidemiology, adotaram uma abordagem diferente. Eles analisaram um ensaio clínico randomizado estudando o uso de álcool em mulheres, bem como outros tipos de estudos que poderiam ser mais capazes de mostrar uma ligação direta entre os dois fatores.

Um estudo, por exemplo, recrutou mulheres grávidas em um teste no qual diferentes métodos foram usados ​​para ajudá-las a beber menos. Outros estudos analisaram o que aconteceu com crianças nascidas de mães mais jovens em uma área antes e depois da idade mínima para beber ser reduzida — fornecendo uma espécie de experimento natural. Dois estudos compararam irmãos nos quais o nível de bebida da mãe havia mudado entre as gestações. Ao todo, eles analisaram 23 pesquisas.

“Nossos resultados mostraram um provável papel prejudicial causal da exposição pré-natal ao álcool nos resultados cognitivos e evidências mais fracas na diminuição no peso ao nascer, confirmando os resultados de estudos observacionais convencionais”, escreveram os autores.

Todos esses estudos têm seus benefícios e desvantagens. Como os autores observaram, eles não podem quantificar a diferença de risco que o uso de álcool pelas mulheres terá em uma gravidez com base apenas nesta revisão.

Uma revisão anterior feita pelos mesmos autores concluiu que dizer às mulheres que evitassem beber até o parto era mais uma precaução do que uma recomendação apoiada por evidências concretas. Mas agora eles alegam que suas novas descobertas apontam “para uma base de evidências mais sólida” que recomendaria a abstinência completa durante a gravidez.

No Reino Unido, onde os pesquisadores estão sediados, a abstinência ao álcool foi promovida por meio de campanhas atraentes nas redes sociais nos últimos anos.

O Dry January (ou janeiro seco, em tradução livre), uma tendência que começou em 2013, foi uma ideia da instituição britânica Alcohol Change, por exemplo.

O governo do Reino Unido também cunhou o #DRYMESTER (um trocadilho com seco e trimestre) como uma nova campanha de conscientização da saúde para mulheres grávidas. Os autores apoiam essas medidas sem nenhuma dúvida.

“Nosso estudo reforça a diretriz dos diretores médicos do Reino Unido: DRYMESTER (abstenção em todos os trimestres) é a única abordagem segura”, disse Luisa Zuccolo, epidemiologista da Universidade de Bristol e principal autora do estudo, em comunicado divulgado pela universidade. “Esta mensagem é mais importante do que nunca, dadas as pesquisas recentes que mostram que a indústria do álcool promove informações confusas sobre as reais implicações para a saúde de beber durante a gravidez.”

De fato, a indústria do álcool tem um histórico sombrio de promover ideias inseguras. Em 2018, um grupo australiano enfureceu as organizações de saúde pública quando distribuiu pôsteres para hospitais que diziam: “Não se sabe se o álcool é seguro para beber durante a gravidez.”

Enquanto isso, nos EUA, o álcool está matando mais americanos do que nunca. No mundo todo, segundo a OMS, o álcool é responsável por 5% de todas as mortes.