Desenvolvedores de aplicativos têm acesso a uma robusta seleção de dados sobre o seu rosto e as expressões que você faz para o iPhone X, levantando preocupações especialistas de privacidade, que acreditam que dados faciais sensíveis possam acabar na mão de anunciantes.

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De acordo com o contrato de desenvolvedores, a Apple garantirá acesso aos dados faciais dos usuários se o desenvolvedor de aplicativos pedir permissão antes de usá-lo e se estes dados não forem usados para fins publicitários ou compartilhado com anunciantes. Os detalhes do contrato de desenvolvedores foi reportado inicialmente pela Reuters; o Gizmodo revisou uma cópia do contrato e confirmou os detalhes.

No entanto, isso não significa que a Apple está disponibilizando o Face ID e compartilhando seus dados para qualquer pessoa que decida desenvolver um app — o Face ID compila ricos detalhes sobre o seu rosto usando diversos sensores e câmeras na frente do iPhone X, e estes dados nunca deixam o aparelho. Os dados faciais que são compartilhados com desenvolvedores são do ARKit, o conjunto de ferramentas da Apple para realidade aumentada, e ele usa apenas comandos da câmera. Notícias anteriores associaram os dois sistemas, mas eles são distintos e necessitam de comandos diferentes.

O ARKit será muito utilizado por desenvolvedores como o Snapchat, por exemplo, que usará a tecnologia para fazer filtros  para selfies super-realistas que rastreiam características faciais dos usuários. Para usar este tipo de dado, os desenvolvedores precisam criar um código de privacidade próprio e adquirir a permissão do usuário.

Mas não se engane, o ARKit providenciará muitos dados do seu rosto conforme você tira selfies. Em uma apresentação, Allan Scaffer, evangelista da Apple para tecnologias de jogos, explicou que o ARKit usa dados da câmera frontal do iPhone X para criar um modelo 3D do seu rosto que é capaz de rastreá-lo em tempo real.

Mas isso é diferente dos dados usados no Face ID, e ele não é potente o bastante para desbloquear o seu telefone. Inclusive, o contrato de desenvolvedor da Apple expressamente proíbe desenvolvedores de usar dados ARKit para criar as próprias ferramentas de autenticação. “Você não pode usar dados faciais para autenticação, publicidade, ou fins de marketing”, diz o contrato.

Ainda assim, defensores da privacidade se preocupam que desenvolvedores não lerão todo o contrato de 77 páginas e, desta forma, não estarão cientes de suas obrigações quando o assunto é proteger dados faciais. A Apple reforça o contrato eliminando desenvolvedores que não o cumprem da App Store, mas este não é um sistema perfeito — como aponta a Reuters, códigos de apps não passam por uma resenha completa antes de serem lançados na App Store e a Apple espera por avaliações de usuários para detectar qualquer comportamento suspeito.

No entanto, dada toda a propaganda e escrutínio em volta do lançamento do Face ID, a Apple certamente investigará de perto os apps que fazem uso de dados faciais. Caso você esteja preocupado em acabar em uma base de dados de reconhecimento facial de um anunciante, confira o código de privacidade do aplicativo antes de começar a usar funções de realidade aumentada, e avalie se o desenvolvedor é mesmo uma companhia confiável que não venderá um mapa do seu rosto por aí.