Com milhões de pessoas sendo vacinadas em vários países do mundo, os cientistas agora começam a ter dados do impacto dos imunizantes no dia a dia real. E os resultados trazem muita esperança, já que as vacinas de mRNA, como as da Pfizer/BioNTech e da Moderna, têm se mostrado altamente eficazes em limitar a infecção e, ao que tudo indica, impedir a transmissão do novo coronavírus, bem como seus sintomas.

As descobertas são baseadas a partir de locais onde um percentual significativo da população já recebeu pelo menos a primeira dose de uma vacina, como é o caso de Israel. Por lá, um estudo publicado na revista Lancet na semana passada analisou profissionais de saúde que atuam no Centro Médico Sheba. O relatório comparou as taxas de Covid-19 — com e sem sintomas — entre os trabalhadores que receberam ou não a vacina Pfizer/BioNTech. Ao final da pesquisa, foi constatado que as pessoas eram significativamente menos propensas a contrair Covid-19 depois de receber a primeira das duas doses programadas do imunizante.

Duas a três semanas após a primeira dose, o risco de ter covid-19 sintomático foi reduzido em 85%. É importante ressaltar que as chances de contrair a doença, incluindo a infecção assintomática (quando pessoa tem o vírus, mas não se sente doente), também foram reduzidas em 75% no mesmo período, com base em testes regulares de PCR. Isso é crucial, porque mesmo quem não apresenta sintomas ainda pode transmitir o vírus para outras pessoas. No entanto, se uma vacina evita que elas fiquem doentes e carreguem o vírus, isso significa que também está reduzindo o risco de transmissão de uma pessoa vacinada para outras.

Os resultados de outro estudo recente, mas que ainda não publicado, parecem mostrar uma vantagem ainda maior para pessoas totalmente vacinadas em Israel. Com base em dados analisados ​​pelo Ministério da Saúde israelense, o risco de infecção foi reduzido em 89% nas pessoas que receberam duas doses da vacina Pfizer/BioNTech, segundo informações publicadas na Reuters na última quinta-feira (18).

Nos Estados Unidos, um estudo preliminar divulgado na semana passada por pesquisadores da Clínica Mayo aponta benefícios semelhantes para a vacina da farmacêutica Moderna. Eles examinaram os funcionários da clínica e centros de saúde associados que haviam recebido a primeira dose do imunizante pelo menos 36 dias antes do estudo. Em comparação com seus colegas não vacinados, os trabalhadores tiveram 89% menos probabilidade de testar positivo para Covid-19 depois de receberem ambas as doses.

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Mais pesquisas continuarão a ser feitas para entender o quão eficazes podem ser as vacinas de mRNA na prevenção da transmissão do novo coronavírus. Outras vacinas são baseadas em tecnologias diferentes e algumas são menos eficazes na prevenção de doenças. Portanto, também precisarão ser estudadas de perto. E a disseminação de novas variantes do vírus pode complicar as coisas, já que pelo menos algumas vacinas se mostraram menos eficazes contra algumas dessas variantes.

Dito isso, esta é, sem dúvida, uma boa notícia se você quer que a pandemia acabe o rápido possível. As vacinas que previnem a doença e a transmissão do Covid-19 dificultarão a propagação do coronavírus conforme mais pessoas forem vacinadas, e devem diminuir o intervalo de tempo até o retorno para uma certa normalidade.