Nos EUA, o trabalho mais cobiçado agora é um estágio em empresas de tecnologia. Não só é possível ganhar, em um verão, mais do que a renda familiar média do país, como se obtém acesso irrestrito a privilégios do Vale do Silício – mesmo sem uma educação universitária.

Hoje, o Vale do Silício tem uma obsessão por juventude. Lá, eles estão em busca de jovens gênios, quem sabe o próximo Mark Zuckerberg. Se você passou dos 30 anos, é muito mais difícil encontrar quem queira financiar seus projetos.



Paul Graham, fundador da Y Combinator – grande aceleradora que investe em startups – disse ano passado ao New York Times: “a idade de corte para os investidores é 32 anos; depois disso, eles começam a ficar um pouco céticos”. Isso até estimula os homens por lá a fazer cirurgia plástica para parecerem mais novos!

Agora, de acordo com a Bloomberg, o fetiche da indústria por jovens chegou às salas de aula do ensino médio:

Conseguir talentos está ficando tão difícil no Vale do Silício que as empresas de tecnologia estão tentando qualquer coisa para obter vantagem – incluindo contratar estagiários de ensino médio e aumentar os privilégios para novos recrutas. O Facebook diz que acabou de começar a cortejar estagiários antes de seu primeiro ano de faculdade, enquanto o LinkedIn abriu seu programa de verão para estudantes do ensino médio há dois anos. Startups como a Airbnb também já contrataram estagiários de até 16 anos.

Assim funciona a hierarquia que coloca a experiência de trabalho na parte inferior da pirâmide. Para recrutar Michael Sayman, 17, como um estagiário de verão, o Facebook pagou a viagem de avião dele e da mãe para que o jovem conhecesse Mark Zuckerberg.

>>> Os altíssimos salários pagos por empresas de tecnologia para seus estagiários

Por que tanto esforço em cooptar estes jovens? A Bloomberg explica:

Para as empresas, trata-se de acompanhar a cultura do Vale do Silício voltada para jovens, especialmente porque adolescentes interessados em tecnologia são muitas vezes incentivados a criar suas próprias startups, em vez de trabalhar em grandes corporações. Peter Thiel, um dos primeiros investidores do Facebook, paga US$ 100.000 para pessoas com menos de 20 anos que abandonam a escola ou faculdade por dois anos para seguirem suas paixões.

De acordo com os salários auto-relatados no Glassdoor, a remuneração média mensal é de US$ 6.791 para estagiários do Twitter, US$ 6.230 no LinkedIn e US$ 6.213 no Facebook – abaixo segue a lista completa, divulgada em fevereiro. A renda média de uma família nos EUA é de US$ 4.280.

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Quem lidera o ranking é a Palantir, empresa de software para agências de inteligência como a CIA: são US$ 7.012 mensais para estagiários. Isso pode até ser a extremidade inferior do espectro: há algumas semanas, ouvimos que alguns estagiários da Palantir em Palo Alto ganham em torno de US$ 10.000 por mês.

E claro, ainda há os benefícios e privilégios:

A Microsoft faz um show gratuito para estagiários de verão, e no ano passado reservou Macklemore & Ryan Lewis e Deadmau5. O Dropbox paga para os pais dos estagiários voarem até San Francisco e aprender sobre a empresa. O Google proporciona benefícios padrão para estagiários no local de trabalho, incluindo massagens e serviço de lavanderia.

Não importa muito se esses jovens vão trazer a próxima ideia de um bilhão de dólares: basta jogar dinheiro suficiente para mantê-los no campus da empresa, em vez de deixá-los escapar para a universidade – ou para outra empresa. [Bloomberg]

Foto por AP