O biólogo John Shepherd uma vez disse que “contar peixes é como contar árvores – exceto que você não pode vê-los e eles se mexem”. Isso pode fazer a pesquisa do comportamento animal ficar incrivelmente difícil. E por mais que marcadores eletrônicos avançados ajudem bastante nessas horas, não há nada melhor para estudar comportamento do que imagens em vídeo.

Saber como animais se comportam na natureza é crucial para formuladores de políticas de conservação que querem regular o meio-ambiente de forma que ele reflita a realidade da vida selvagem do animal. Mas como você assiste a essas criaturas que estão fora do habitat humano? Cada vez mais cientistas estão usando câmeras montadas em outros animais.

O sistema CritterCam da National Geographic foi instalado em mais de 50 espécies de tubarões, mamíferos marinhos, tartarugas e pinguins, e uma tecnologia parecida está sendo usada por grupos de pesquisa no mundo inteiro. Enquanto isso, o Inishowen Basking Shark Study Group da Irlanda está estudando o segundo maior peixe do mundo, que pode chegar a 12 metros de comprimento e pesar 4 toneladas.

HeatherVance, uma estudante da Universidade Queens em Belfast, está usando câmeras de vídeo em animais para estudar o comportamento desses bichos incompreendidos. “Eu acho que a coisa que mais me interessa em tubarões-frade é quão misteriosos eles são,” me disse Vance. “Ainda há tanta coisa que não sabemos sobre eles e isso significa que quando os estudamos nós descobrimos coisas que ninguém sabia!”

As câmeras também contém biologgers que conseguem medir profundidade, aceleração 3D, direção e outras variáveis ambientais. Ao combinar as imagens em vídeo com essas métricas, os pesquisadores conseguem uma boa quantidade de informações sobre o comportamento dos tubarões-frade.

“Por exemplo, nós investigamos o gasto de energia em relação a estratégias de alimentação,” explicou Vance. “Nossa hipótese é que quando os tubarões-frade abrem suas enormes bocas para se alimentar, eles acabam precisando gastar mais energia para nadar. Ao usar as imagens da câmera, fomos capazes de identificar períodos em que os tubarões estavam se alimentando. E então acoplamos isso às nossas medidas indiretas do gasto de energia e concluímos que os tubarões gastam mais energia quando se alimentam do que quando nadam com a boca fechada.”

Após algumas horas, o mecanismo que prende a câmera à barbatana do tubarão degrada, e a câmera flutua até a superfície, onde pode ser apanhada pela equipe de pesquisa. Os resultados iniciais foram bastante animadores.

“Prender uma câmera a um tubarão-frade é uma coisa que nunca antes tinha sido feita no mundo. Então, em um primeiro momento, quisemos tentar, e pela primeira vez observar o mundo a partir da perspectiva de um desses tubarões”, disse Vance.

“As imagens em si, no entanto, nos permitiram ver eventos nunca visto antes, como esses tubarões interagindo com outros no fundo do mar, gastando longos períodos cruzando o leito do mar a velocidades baixas, e como um desses bichos reage ao ter que compartilhar a água com barcos e pessoas,” ela continuou.

Ao estudar as imagens, Vance e sua equipe encontraram algo interessante: eles mesmos! E eles até brincaram com isso no Twitter:

Você pode ver mais das imagens no vídeo abaixo: