A cocaína é uma droga bem poderosa. Ela afeta três dos neurotransmissores do nosso cérebro que são responsáveis por nós nos sentirmos fantásticos – dopamina, serotonina e norepinefrina – e a tolerância à substância não parece se dissipar, mesmo meses depois de parar. (Além disso, ela é cara e faz mal). Uma nova pesquisa publicada na Translational Psychiatry adiciona outra faceta bizarra a uma das drogas mais populares do mundo: viciados em cocaína possuem depósitos atípicos de ferro no cérebro.

• Cientistas encontram novos indícios do porquê a cocaína é tão viciante
• Esta é a aparência de 72 capsulas de cocaína em um intestino humano

A Dra. Karen Ersche, junto com uma equipe de pesquisadores da Universidade de Cambridge, examinou o cérebro de 44 pessoas viciadas em cocaína e de outras 44 pessoas que não eram dependentes. Aqueles que eram viciados tinham “acumulação excessiva de ferro no globo pálido“, em quantidades que tinham relação direta com o tempo que esses 44 indivíduos estavam usando a droga. Com uma compreensão melhor do porquê o ferro atravessa a barreira hematoencefálica, o tamanho dos depósitos pode no futuro ser usado para diagnosticar e medir o nível de dependência de um paciente.

Naturalmente, mais ferro no cérebro significa menos ferro em outros lugares, o que foi confirmado pelo estudo. O ferro é vital para uma das funções dos glóbulos vermelhos: a circulação de oxigênio no corpo.

O acúmulo de ferro desse tipo não é “incomum porque vemos acumulação de ferro também em doenças neurodegenerativas [como Parkinson ou Alzheimer]” disse Ersche ao Gizmodo, embora o estudo não tenha conseguido vincular o uso da cocaína a uma maior probabilidade de desenvolver essas doenças. A presença de depósitos de ferro no cérebro é a mesma, mas a localização e o mecanismo pelo qual ele chega lá não são.

O uso constante cocaína talvez não leve ao Alzheimer, mas Ersche disse Gizmodo que tais depósitos fazem com o que o cérebro inflame.

Por enquanto, essas conclusões são interessantes, mas não oferecem muitas aplicações práticas. O próximo passo para Ersche e sua equipe é entender melhor e, quem sabe, descobrir como reverter o acúmulo de ferro nos cérebros dos usuários de cocaína, e possivelmente usar essas informações para ajudar os viciados a se recuperarem

[Eureka]

Imagem do topo: Um pedaço enorme de cocaína apreendido. Martin Mejia/AP