Titã, a maior lua de Saturno, é um dos lugares com mais chances de abrigar vida no nosso sistema solar. Um novo estudo sugere que a superfície do satélite oferece condições favoráveis para reações químicas necessárias para o surgimento de vida.

O satélite natural de Saturno é formado por corpos líquidos, mais especificamente metano. Embora não exista água por lá, a aparência é semelhante à Terra e por isso cientistas estudam a possibilidade da existência de alguma forma de vida adaptada, que suporte o frio e que não precise de água.



Porém, antes de falarmos da existência de vida em Titã, precisamos dar um passo para trás e verificar se as condições básicas realmente existem. É preciso existir energia o suficiente em temperaturas abaixo dos 179 graus Celsius para que os elementos essenciais se formem.

“Para alguma coisa acontecer em Titã, é preciso que existam reações químicas em baixas temperaturas,” contou o químico Martin Rahm ao Gizmodo. A última pesquisa de Rahm, publicada essa semana na revista Proceedings of the National Academies of Sciences, identifica um mecanismo pelo qual a energia do sol poderia ser absorvida pela atmosfera nebulosa de Titã.

Uma das moléculas chave que a missão Cassini-Huygens identificou na atmosfera de Titã foi o Cianeto de Hidrogênio (HCN), um importante precursor da vida na Terra.

Estudos anteriores indicam que o HCN pode reagir na superfície de Titã e formar um tipo de polímero — macromolécula formada pela união de substâncias simples. Agora, os modelos propostos por Rahm mostram que, sob condições semelhantes ao ambiente de Titã, esse polímero formado a partir do Cianeto de Hidrogênio é capaz de absorver a luz do sol.

“Diferentes configurações desse material absorve diferentes ondas de luz, incluindo as ondas que estão acessíveis na superfície de Titã” disse Rahm. “Isso pode oferecer energia.”

Jonathan Lunine, astrônomo e co-autor do estudo, apontou que há nove anos um estudo publicado na National Academies of Sciences concluiu que “se a vida é uma propriedade intrínseca da reatividade química, ela deve existir em Titã.”

Ele comentou ainda que os resultados dos estudos com a poliimina são interessantes o suficiente para “justificar a busca por esses polímeros na superfície de Titã — mas que terá de ser feita em uma outra missão.”

Em outras palavras, é hora de procurar por alienígenas em Titã.

Imagem do topo: Titã passando em frente a um dos anéis de Saturno, capturado pela missão Cassini-Huygens. Foto por NASA.