Gustavo Alonso era o capitão de um submarino usado para transporte de cocaína na Colômbia, até que ele foi preso no mar com 3,5 toneladas da droga. Com o tempo ele percebeu que o confinamento solitário da prisão era melhor do que trabalhar para os cartéis.

A revista semanal alemã Der Spiegel entrevistou “Alonso”, que falou apenas com a condição de anônimo por razões óbvias. Ele passou vários anos na prisão, dois deles sendo apenas na solitária. Trabalhou por anos como capitão de um barco pesqueiro, mas quando sua mulher ficou doente e ele precisava de U$40 mil para o tratamento, um “conhecido” ofereceu ajuda ao cidadão. Após a operação de sua esposa, Alonso foi procurado novamente pelo homem, que agora queria um favor em troca – que ele pilotasse um submarino do narcotráfico.

Na cidade portuária de Buenaventura, onde Alonso nasceu, se alguém é abordado pelos narcotraficantes, é praticamente impossível não ser obrigado a trabalhar para eles. Da reportagem do Der Spiegel:

As quadrilhas de drogas fazem seu recrutamento em bairros pobres de Buenaventura, onde as pessoas vivem em frágeis cabanas de madeira. Nesses bairros, há pouco trabalho e água e eletricidade surgem de forma esporádica. A máfia das drogas controla essas áreas e encontra seus novos soldados.

Uma mulher foi morta há poucas semanas, e outras duas desapareceram sem deixar rastro – um ato de vingança dos traficantes após um transporte de drogas malsucedido. A tripulação de um barco de contrabando jogou parte de seu carregamento no mar durante uma perseguição da guarda costeira. Dias depois, a polícia exibiu com orgulho o carregamento confiscado. Para os traficantes, o incidente foi um ato de traição, que merecia algum tipo de retaliação.

Além de ter de se preocupar com si mesmo e com sua família, Alonso também tinha que ficar dias e dias num mar infinito enfiado num pequeno e fedido semi submersível lotado de cocaína. “Eu fiquei com medo quando eles me mostraram o barco”, conta. “Mesmo que eu escapasse pela escotilha para a superfície, eu estaria no meio do oceano, sem um colete salva-vidas ou um bote salva-vidas”. 

O barco era dividido em três seções. Uma portinhola na proa levava até o porão de carga, que mal tinha um metro de altura. A equipe tinha que rastejar pelo porão, passando pelos pacotes de drogas, para chegar na estação de controle e nos beliches. Alonso ficava perto do volante, ao lado de um GPS para a navegação e de um rádio. Os tanques de combustível ficavam embaixo dos beliches. A sala das máquinas, que tinha dois motores a diesel, ficava atrás de Alonso. Não havia luz, nem banheiro, e mal havia espaço para ficar em pé ou deitar para dormir.

Bem, com toda aquela carga, é difícil acreditar que eles conseguiriam dormir. De acordo com a revista, se você comprar cocaína nos EUA, há uma chance em três de estar adquirindo algo que chegou de um submarino do narcotráfico. Vale a pena ler toda a história. Para mais informações sobre submarinos de drogas, dê uma olhada na ótima matéria da VBS TV. [Foto via AP]