Sistemas complexos de microfones são frequentemente usadas pela polícia e pelas Forças Armadas para ajudar a identificar rapidamente de onde sons de tiros se originam. Mas pesquisadores da Universidade Carnegie Mellon descobriram que os vídeos capturados por smartphones podem ser igualmente úteis para determinar a localização de um atirador.

O sistema de reconstrução e análise de eventos de vídeo — ou VERA, abreviação em inglês — foi desenvolvido no Language Technologies Institute da CMU, com a cooperação da SITU Research, que compartilhou sua experiência em balística e arquitetura. A ferramenta foi lançada no mês passado como um software livre de código aberto na Conferência Internacional sobre Multimídia da Association for Computing Machinery em Nice, na França.



Usando o aprendizado de máquina, o VERA primeiro sincroniza as imagens de vários vídeos gravados por smartphones que estavam tanto na localização do evento quanto nas proximidades. Quanto mais imagens coletadas, mais precisos serão os resultados, mas os pesquisadores descobriram que o sistema teve um bom desempenho ao usar imagens de apenas três dispositivos. Uma vez sincronizado, o VERA calcula a posição de onde cada vídeo foi filmado com base em pontos de referência e outros recursos evidentes ​​nas imagens reais.

O sistema processa o áudio de cada clipe, identificando especificamente dois sons distintos: o estalo da onda de choque criada pela bala supersônica em voo e o som da explosão que emana do cano da arma. O atraso de tempo entre os dois parâmetros fornece uma pista crucial, mas os sons também ajudam a revelar o tipo de arma usada, o que, por sua vez, ajuda a determinar a velocidade da bala. Ao processar todas essas informações, o VERA pode determinar a localização do atirador com um nível surpreendente de precisão.

Um sistema desenvolvido pela Universidade Carnegie Mellon usa vídeo de smartphones para ajudar a identificar a localização de atiradores. Aqui, a análise de vídeo de dois smartphones durante o tiroteio em massa em 2017 em Las Vegas indica que o atirador estava na ala norte do hotel Mandalay Bay. Ilustração: Universidade Carnegie Mellon

Durante o seu desenvolvimento, o VERA foi testado usando vídeos capturados por três smartphones durante o primeiro minuto do tiroteio em massa em 2017 em Las Vegas, Nevada. O sistema conseguiu estimar com precisão que o atirador estava localizado na ala norte do hotel Mandalay Bay, mesmo com uma margem de erro que ainda apontava para o hotel como o local provável.

Ao contrário dos sistemas de microfone que estão constantemente processando e analisando sinais para localizar um atirador com atrasos mínimos, os resultados do VERA não são imediatos; portanto, seu uso, pelo menos em sua forma atual, será limitado à análise forense de incidentes após o ocorrido. Mas, com protestos em massa ocorrendo em lugares como Hong Kong, o VERA pode ser uma ferramenta vital para determinar se os manifestantes ou a polícia local são responsáveis ​​pelos disparos. Seus criadores também acreditam que o VERA poderia ser facilmente adaptado para analisar e localizar a origem de outros sons relacionados a violações de direitos humanos ou investigações de crimes de guerra.