“E se” é uma frase bem comum no universo Marvel. Roteiristas sempre conseguem encaixar histórias com E se… Wolverine tivesse cachorro quente no lugar das garras!? e então você encontra “E SE: WOLVERINE CACHORRO QUENTE” nas prateleiras. Mas às vezes temos algumas coisas extremamente bem pensadas. E logo após o fim da Era de Ultron que levou uma enxurrada de seres com inteligência artificial para o universo Marvel, agora temos os Vingadores AI, uma equipe dos Vingadores capitaneada por Visão. Uma equipe de gadgets Vingadores, basicamente.

Falamos com o roteirista Sam Humphires, que está escrevendo a série, para entender um pouco dessa história:

Gizmodo: Que tipo de pesquisa você fez no mundo da inteligência artificial que existe para se preparar para o livro?

Sam Humphries: Eu fiz uma ampla pesquisa sobre o assunto, tentando me familiarizar com a diversidade de pontos de vista. O trabalho de Nick Bostrom foi particularmente forte e tem uma influência no livro. Fiquei fascinado pelas suas teorias de superinteligência, risco existencial, e o argumento de simulação. Pesquisei a forma correta de fazer uma homenagem a ele no livro, mas dar seu nome a uma nave ou qualquer coisa parecida parece pouco. Um dia eu vou descobrir a melhor forma de fazer isso.

GIZ: A premissa de um grupo de personagens com inteligência artificial, em vez de humanos, mudou a forma como você escreve as interações entre eles?

SH: Sim, essa é uma das coisas mais legais do livro. Não apenas eles são robôs, mas são robôs de diferentes gerações e origens. Não apenas eles têm seus desejos e motivações diferentes de humanos, mas eles são bastante diferentes entre si. A Visão é um dos personagens mais interessantes do universo Marvel. Durante décadas foi o único com inteligência artificial. Agora com essa explosão de AI no universo Marvel, ele passou de um ser solitário para um personagem com milhões de irmãos. Estou muito interessado em explorar como isso vai mudar a sua perspectiva em relação a humanos, e o seu papel entre eles.

Giz: Existe uma abrangente metáfora tecnológica no coração de Vingadores AI?

SH: Eu diria que o tema abrangente de Vingadores AI é uma metáfora da cultura impactada pela tecnologia. Como a sociedade se comporta com a cada vez mais crescente – e inevitável – sofisticação da tecnologia? Alguém pode dizer que o escândalo do PRISM tornou este livro relevante, mas a verdade é, todo mês há uma grande história de alguém com algum problema relacionado ao desenvolvimento tecnológico. Nas páginas de Vingadores AI, isso é traduzido em singularidade tecnológica, e o robô, sintético e com inteligência artificial, é que gera a ameaça. Mas no mundo real são os drones, ou aquele seu amigo que não sai da frente do smartphone.

Giz: Algumas tecnologias existentes no universo Marvel – como as partículas Pym – não tem muita base na ciência real. Quando vocês criam coisas novas e divertidas, vocês tentam baseá-las em algo que temos agora, ou apenas em algumas ideias malucas?

SH: Um pouco de cada. Normalmente temos ideias malucas e então tentamos colocá-las de acordo com algo existente, ou que estamos começando a entender agora. O universo Marvel, desde o primeiro dia, foi “o mundo fora da nossa janela”. Vingadores AI é estranho, futurista e divertido, mas mantém aquela tradição. Aprendi muito sobre ciência estudando os assuntos que lia nos quadrinhos, mesmo que eles fossem usados apenas para algum tipo de ficção científica questionável. Acho que é algo que os quadrinhos fazem bem e quero fazer minha parte em continuar com isso.

E, vamos ser sinceros, pesquisa de tecnologia de ponta é ainda mais maluca que a realidade.

Giz: Quão triste Visão fica ao ver a Siri?

SH: Isso acontece sempre que o Gavião Arqueiro pede para Siri chamá-lo de “Rei Sexy”.

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Eis algumas páginas exclusivas de Vingadores AI, que será lançado amanhã nos Estados Unidos.

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