Autoridades de saúde na Tailândia e Japão anunciaram que um novo vírus estranho, que já matou duas pessoas e adoeceu dezenas outras na China, apareceu em seus territórios. O vírus, conhecido como 2019-nCoV, foi identificado originalmente em Wuhan, na China, no fim de dezembro e ainda há questões sobre sua transmissão, de acordo com a Organização Mundial da Saúde.

Autoridades na Tailândia identificaram o novo vírus no país no dia 13 de janeiro e anunciaram um segundo caso nesta sexta-feira (17). Já as autoridades de saúde na Japão anunciaram o primeiro caso da doença misteriosa na quinta-feira (16), destacando que um homem em seus 30 anos tinha sido diagnosticado com o vírus antes de melhorar o suficiente para ter alta do hospital no dia 15 de janeiro.

A doença é um coronavírus, parte de uma grande família de vírus que pode causar sintomas que vão desde uma constipação comum até à síndrome respiratória aguda grave, mais comumente conhecida como SARS.

O novo 2019-nCoV apresenta-se como tendo sintomas semelhantes aos da pneumonia e 41 pessoas testaram positivo para o vírus até agora, com cinco pessoas ainda em estado crítico de “infecções graves“.

As autoridades de saúde acreditam que o novo vírus só pode ser transmitido de animais para humanos e que o Mercado Atacadista de Frutos do Mar de Huanan, em Wuhan, que vende animais vivos, pode ser o culpado. E embora ainda não tenha havido confirmação de transmissão de humano para humano, os novos pacientes na Tailândia e no Japão não visitaram esse mercado em particular.

“Considerando os padrões globais de viagens, é provável que haja casos adicionais em outros países”, disse a Organização Mundial da Saúde (OMS) em uma declaração publicada nesta quinta-feira.

A primeira morte de 2019-nCoV foi registrada no dia 9 de janeiro, após um homem de 61 anos de idade em Wuhan ter contraído a doença. A segunda morte na China foi relatada nesta quinta-feira — um homem de 69 anos de idade também em Wuhan, que se descobriu ter graves danos a múltiplos órgãos e tuberculose pulmonar.

No Japão, os sintomas de um homem começaram em 3 de janeiro, enquanto ele viajava em Wuhan. O homem que não foi identificado viajou de volta ao Japão no dia 6 de janeiro e foi hospitalizado ao retornar da China, de acordo com o New York Times.

As autoridades sanitárias estão preocupadas com o seu caso, já que ele não visitou nenhum mercado com animais vivos, embora tenha tido contato próximo com outros pacientes com pneumonia, de acordo com o Centro de Pesquisa e Política de Doenças Infecciosas (CIDRAP) da Universidade de Minnesota.

O vírus apareceu na Tailândia depois que uma chinesa de 61 anos, de Wuhan, visitou o país, segundo o Ministério de Saúde Pública da Tailândia. A mulher não visitou o mercado de frutos do mar em Wuhan, mas visitou um mercado diferente que pode ter tido animais vivos.

As preocupações com o novo vírus devem ser menores se ele não puder ser transmitido de pessoa para pessoa. Se a doença passar somente de animal para humano, existem precauções relativamente simples que podem ser tomadas para que ela não se espalhe. O Huanan Seafood Market foi fechado e limpo no dia 1º de janeiro, apenas um dia após a potencial ligação ter sido descoberta em 31 de dezembro. Desde então, o mercado reabriu.

Viajantes passam por um scanner térmico durante a chegada ao aeroporto de Narita, em 17 de janeiro de 2020, no, JapãoViajantes passam por um scanner térmico durante a chegada ao aeroporto de Narita, em 17 de janeiro de 2020, no, Japão. Foto: Getty Images

Alguns aeroportos como o de Narita, no Japão, estão fazendo exames térmicos de passageiros para detectar qualquer pessoa que apresente febre. E uma equipe do Centro Alemão de Pesquisa de Infecções em Berlim desenvolveu um novo teste de laboratório para 2019-nCoV que foi publicado ontem pela OMS.

“Agora que esse teste de diagnóstico está amplamente disponível, espero que não demore muito até que sejamos capazes de diagnosticar de forma confiável os casos suspeitos. Isto também ajudará os cientistas a entender se o vírus é capaz de se espalhar de humano para humano”, disse o professor Christian Drosten em um comunicado. “Este é um passo importante na nossa luta contra esse novo vírus”.

O professor Drosten fazia parte da equipe por trás do teste do vírus Zika que se tornou o padrão mundial.

“O fato de que alguns casos não parecem estar ligados ao mercado de frutos do mar de Huanan significa que não podemos excluir a possibilidade de transmissão limitada de humano para humano”, disse a OMS em um tuíte no início desta semana.

“Ainda estamos nos estágios iniciais de compreensão deste novo vírus, de onde ele veio e como ele afeta as pessoas”. Ainda há muitas incógnitas, e a situação pode continuar a evoluir”.