Os casos envolvendo o vírus que surgiu na China continuam se espalhando. Nesta terça-feira (21), autoridades de saúde dos Estados Unidos confirmaram o primeiro caso de um paciente infectado em solo americano, envolvendo um homem que tinha viajado recentemente para a região de Wuhan, na China, onde os primeiros casos surgiram.

De acordo com o Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC, na sigla em inglês), o caso é de um homem na casa dos 30 anos que retornou ao estado de Washington no dia 15 de janeiro, após viajar para Wuhan. Pouco depois disso, ele apresentou sintomas de de pneumonia (um termo que engloba todas as infecções pulmonares) e procurou cuidados médicos em um hospital próximo.



Dado o histórico de viagens e sintomas do homem, os médicos rapidamente enviaram amostras para o CDC. Na segunda-feira, testes de laboratório confirmaram o vírus em seu corpo, uma espécie de coronavírus nunca antes descoberto que recebeu o nome “2019-nCoV”.

Quando casos do novo vírus foram relatados pela primeira vez por médicos na China em dezembro de 2019, o surto parecia estar limitado a pessoas que tinham visitado um determinado mercado de alimentos em Wuhan, onde provavelmente a transmissão ocorreu pelo contato com animais.

Havia esperança de que a doença não teria transmissão direta entre humanos. Com a identidade genética do vírus descoberta e novos testes criados para detectá-la nas pessoas, descobriu-se que ele poderia ser passado de humano para humano.

Atualmente, há quase 300 casos confirmados de 2019-nCoV na China, inclusive entre trabalhadores da área de saúde, além de seis mortes confirmadas. Na segunda-feira, os agentes de saúde chineses também confirmaram que o vírus tem transmissão direta entre humanos e que isso já aconteceu.

Os números da China, no entanto, podem ser ainda maiores. Uma análise realizada por pesquisadores no Reino Unido na semana passada especulou que já pode haver até 1.700 casos em Wuhan.

Embora a taxa de mortalidade do 2019-nCoV não pareça ser tão alta como a do SARS (Síndrome respiratória aguda grave) ou do vírus MERS (Síndrome Respiratória do Oriente Médio) – dois outros coronavírus recentemente descobertos que mataram entre 10% a 30% das vítimas durante os seus surtos iniciais – ainda é muito cedo ter clareza sobre seus perigos.

O homem envolvido no caso dos EUA está em situação estável e bem de saúde, disseram autoridades do CDC na terça-feira, embora ele permaneça em quarentena com cuidados médicos.

Japão, Coréia do Sul, Taiwan e Tailândia também relataram casos de 2019-nCoV. Até agora, todos os casos relatados fora da China tinham relações com pessoas que visitaram Wuhan recentemente. Porém, nem todos os casos estão relacionados com o Mercado Atacadista de Frutos do Mar de Huanan em Wuhan. Isso é pode ser uma má notícia, porque pode significar que o surto se dividiu em novas cadeias de transmissão e que qualquer esperança de contê-lo no futuro imediato já está destinada ao fracasso.

Na segunda-feira, os especialistas de saúde chineses levantaram preocupações de que o surto se agrave com o início do Ano Novo chinês, que se prolonga por uma semana. Na terça-feira, a Organização Mundial de Saúde declarou que estava preocupada com a transmissão “sustentada” do vírus entre humanos, com base nas informações disponíveis.

O agravamento da situação fez com que a Organização Mundial da Saúde agendasse uma reunião as pressas para tratar do 2019-nCoV nesta quarta-feira. A partir dessa reunião, A OMS pode declarar o surto como uma emergência de saúde pública internacional.

Embora o CDC tenha declarado que o perigo para os EUA é atualmente baixo, ele já deu luz verde para o rastreio preventivo dos passageiros de Wuhan que viajam por três aeroportos de alto tráfego na Califórnia e Nova York: o Aeroporto Internacional de São Francisco, o Aeroporto Internacional de Los Angeles e o Aeroporto Internacional John F. Kennedy. Na terça-feira, a agência expandiu o monitoramento para o Aeroporto Internacional Hartsfield-Jackson Atlanta e para o Aeroporto Internacional O’Hare de Chicago.

O Gizmodo Brasil entrou em contato com o Ministério da Saúde que informou que “até o momento, não há detecção de nenhum caso suspeito de Pneumonia Indeterminada relacionado ao evento na China.” Reproduzimos abaixo a nota completa:

A pasta tem realizado monitoramento diário da situação junto à Organização Mundial da Saúde (OMS), que acompanha o assunto desde as primeiras notificações de casos, em 31 de dezembro de 2019. As informações disponíveis até o momento são limitadas para determinar risco geral de surto relacionado à doença. As informações disponíveis até o momento são limitadas para determinar risco geral de surto relacionado à doença. Os casos estão restritos a trabalhadores ou visitantes de um mercado atacadista de peixes e animais vivos na cidade de Wuhan, na China.

Os sinais e sintomas clínicos da Pneumonia Indeterminada são principalmente febre, dor, dificuldade em respirar em alguns pacientes e infiltrado pulmonar bilateral. Embora a causa da doença e do mecanismo de transmissão sejam desconhecidos, no Brasil, o Ministério da Saúde orienta cuidados básicos para reduzir o risco geral de infecções respiratórias agudas. Entre as orientações estão: evitar contato próximo com pessoas que sofrem de infecções respiratórias agudas; realizar lavagem frequente das mãos, especialmente após contato direto com pessoas doentes ou com o meio ambiente; evitar contato próximo com animais selvagens e animais doentes em fazendas ou criações.

O Governo Federal brasileiro adotou diversas ações para o monitoramento e o aprimoramento da capacidade de atuação do país diante do episódio ocorrido na China. Entre essas ações, estão a adoção das medidas recomendadas pela OMS; a notificação da área de Portos, Aeroportos e Fronteiras da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa); a notificação da área de Vigilância Animal do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA); e a notificação às Secretarias de Saúde dos Estados e Municípios, demais Secretarias do Ministério da Saúde e demais órgãos federais com base em dados oficiais, evitando medidas restritivas e desproporcionais em relação aos riscos para a saúde e trânsito de pessoas, bens e mercadorias.

Para maiores detalhes sobre o assunto, acessar o Boletim Epidemiológico do Ministério da Saúde, publicado na quarta-feira (15), no portal do Ministério da Saúde.

O boletim pode ser acessado por meio deste link e as informações sobre o 2019-nCoV aparecem a partir da página 10.

Colaborou: Alessandro Feitosa Jr.