Como repórter científica, sou cética quanto a suplementos. Sei que maioria deles não funciona e que leis menos rígidas significam que os fabricantes de suplementos às vezes lançam produtos que são de baixa qualidade ou até mesmo perigosos.

E, ainda assim, desde que minha cabeleireira mencionou para mim, alguns anos atrás, que havia notado que suas clientes que tomavam biotina de fato viam seu cabelo crescer mais rápido e mais forte, passei a tomar religiosamente uma cápsula da vitamina todos os dias. Era improvável que ela funcionasse, eu disse para mim mesma, mas também era improvável que causasse algum mal. Uma chance escassa de ter cabelos e unhas mais fortes parecia valer a pena o custo relativamente baixo. Eu conheço muitas mulheres igualmente céticas quanto a suplementos que fazem o mesmo.

Entretanto, acontece que talvez exista, sim, riscos associados com a ingestão de biotina, além daqueles tipicamente associados com a ingestão de suplementos mal regulados. Nesta semana, a FDA (órgão que regulamenta, entre outras coisas, medicamentos e suplementos nos Estados Unidos) soltou um aviso de que a vitamina poderia interferir nos resultados de certos exames médicos.

“A biotina no sangue ou em outras amostras tiradas de pacientes que estejam ingerindo altos níveis de biotina em suplementos de dieta pode causar resultados de testes de laboratório significativamente incorretos clinicamente”, alertou a agência em seu comunicado. “A FDA viu um aumento no número de efeitos adversos relatados, incluindo uma morte, relacionados à interferência da biotina em exames de laboratório.”

A biotina, também conhecida como vitamina H, é uma vitamina do complexo B encontrada comumente em multivitamínicos (especialmente aqueles para mulheres), suplementos para o cabelo, para a pele, para o crescimento das unhas e em vitaminas pré-natais. O problema desses produtos é que eles podem conter níveis de biotina até 650 vezes mais altos do que a dose diária recomendada.

A FDA aponta que, recentemente, houve um aumento no número de relatos de que o popular suplemento tenha alterado resultados de exames, causando resultados falsamente altos ou baixos, dependendo do teste. Muitos testes de laboratório usam tecnologia de biotina como parte da avaliação porque ela pode fazer ligações com proteínas específicas que podem ser medidas para detectar certas doenças. Ela é frequentemente usada em testes de hormônios e exames para marcadores de doença cardíaca. Em um caso, disse a FDA, a biotina parece ter interferido em um teste de troponina, um biomarcador usado no diagnóstico de ataques cardíacos. Um teste de troponina com resultado falsamente baixo resultou em um diagnóstico errado de um paciente que estava ingerindo altos níveis de biotina, e ele acabou morrendo.

A agência lançou novas recomendações para médicos, funcionários de laboratórios e consumidores. Ela pede que as pessoas conversem com seu médico sobre os suplementos que possam estar tomando e que estejam conscientes de que alguns deles podem ter altos níveis de biotina, ainda que esses níveis não sejam claramente rotulados.

Enquanto isso, o melhor conselho pode ser que você simplesmente pare de gastar seu dinheiro em suplementos.