O Telescópio Hubble capturou imagens de um vórtice escuro pairando sobre Netuno durante uma observação em 16 de maio. Esta é, na verdade, a terceira vez que esse fenômeno é documentado na atmosfera do planeta. Ele já foi visto em 1989, durante o sobrevoo da sonda Voyager; e em 1994, também pelo Hubble.

Vórtices escuros surgem quando nuvens de gás e o ar da atmosfera de Netuno formam redemoinhos e acabam se congelando nas baixíssimas temperaturas do planeta, formando uma única massa estranha.

“Os vórtices escuros aparecem na atmosfera como grandes montanhas gasosas em formato de lentes”, disse à NASA o líder do estudo, Mike Wong, da Universidade da Califórnia em Berkeley. Um fluxo de nuvens brilhantes acompanha o evento — que, segundo Wong, são semelhantes às “nuvens com forma de panqueca que aparecem sobre montanhas na Terra.”

vortex-escuro-netuno-close
Vendo o vórtice escuro de perto

Todos os vórtices escuros possuem uma nuvem de gás congelado coberta com essas nuvens brilhantes, mas todos os outros elementos parecem ser completamente mutáveis. Diferenças no tamanho, formato e na duração foram notadas durante as observações do fenômeno.

Embora essa seja a primeira vez que o acontecimento é registrado em 22 anos, pesquisadores suspeitam que outros vórtices do gênero tenham passado despercebidos pela atmosfera de Netuno. Em particular, um incidente em 2015 levantou suspeitas, quando astrônomos no mundo inteiro relataram enxergar nuvens brilhantes nos céus do oitavo planeta. Os cientistas, no entanto, não puderam confirmar o vórtice escuro sob elas.

Agora que os pesquisadores puderam ter um registro melhor do fenômeno de Netuno pelo Hubble, a expectativa é que entendam melhor o motivo pelo qual eles se formam – e pelo qual acabam desaparecendo.

[NASA]

Imagens por NASA, ESA e M.H. Wong and J. Tollefson/UC Berkeley