Pela segunda vez na história, um objeto feito pelo homem entrou no espaço interestelar.

A NASA anunciou os detalhes da entrada da sonda Voyager 2 no espaço interestelar ao vivo em uma coletiva de imprensa que aconteceu às 14h no horário de Brasília, na reunião da União Geofísica Americana (AGU), em Washington. A coletiva de imprensa pode ser assistida aqui.



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A NASA lançou as sondas Voyagers 2 e 1 (a Voyager 2, curiosamente, foi a primeira) em 1977 para explorar Júpiter, Saturno e o espaço além desses planetas.

Ambas as sondas nos enviaram toneladas de informações importantes sobre os planetas, e as missões continuaram, coletando dados à medida que voavam mais e mais longe através do espaço.

A Voyager 1 entrou no espaço interestelar em 2013, e sabíamos há meses que a Voyager 2 estava se aproximando desse marco.

Em outubro, a sonda mediu um sinal que indicava que mais partículas de raios cósmicos estavam atingindo seus instrumentos. A heliosfera do Sol, ou seja, a região onde as partículas e os campos magnéticos são alterados pela influência do Sol, protege as sondas desses raios.

Mas, depois de passar a heliopausa, a maior extensão da região, as coisas ficam mais intensas, e esses raios cósmicos atingem a sonda com mais intensidade. Em outubro, o cientista de projetos da Voyager Ed Stone havia dito que “ainda não tínhamos chegado lá”.

Medições da Voyager 2. GIF: NASA/JPL-Caltech

Bem, agora chegamos lá. A confirmação veio a partir do equipamento de Experimento de Ciência do Plasma da sonda, de acordo com um comunicado de imprensa. Ele mediu um declínio acentuado na velocidade com que as partículas do vento solar estavam viajando desde 5 de novembro, marcando a saída.

O Voyager 2 está a mais de 17 bilhões de quilômetros do Sol, viajando a 55.025 quilômetros por hora, para longe de seus criadores. São 465 milhões de quilômetros por ano.

Mas a sonda não deixou o Sistema Solar, de acordo com o comunicado — ela ainda não entrou na hipotética nuvem de Oort, que tem objetos ainda influenciados pela gravidade do Sol. Isso provavelmente só acontecerá daqui a 300 anos, e levará 30 mil anos para a Voyager 2 voar além dela.

As duas missões continuarão estudando a região no espaço interestelar, informa a NASA:

“Estamos todos felizes e aliviados pelas sondas Voyager terem operado o tempo suficiente para superar esse marco”, disse Suzanne Dodd, gerente de projeto da Voyager no Laboratório de Propulsão a Jato da NASA, no comunicado. “Isso é o que todos nós estávamos esperando. Agora, estamos ansiosos pelo que seremos capazes de aprender ao ter ambas as sondas fora da heliopausa.”