Quatro estudantes no estado de Maryland, nos EUA, foram acusados de crime de ódio por pichar sua escola com palavras e imagens racistas, homofóbicas e anti-semitas, poucos dias antes da formatura do ensino médio. O curioso da história é que eles foram identificados pelos administradores da escola, porque seus telefones se conectaram automaticamente à rede Wi-Fi da escola, segundo relatos.

Como parte de sua série explorando crimes de ódio, o Washington Post publicou nesta terça-feira (9) uma reportagem sobre vandalismo, que incluía detalhes específicos sobre quatro alunos da Glenelg High School — Joshua Shaffer, Seth Taylor, Matthew Lipp e Tyler Curtiss — que foram pegos.



Para se conectar ao Wi-Fi da escola, os alunos precisam fazer login em seus telefones com identificações únicas que continuam “conectados automaticamente sempre que estiverem no campus”, de acordo com o Washington Post. O Howard County Times, um jornal local, relatou anteriormente que o Wi-Fi ajudou a identificar os alunos envolvidos.

Apesar de esconder seus rostos com camisetas para se protegerem das câmeras de segurança, os quatro adolescentes foram automaticamente registrados como estando no campus às 23h35 no dia 23 de maio de 2018, na noite em que os crimes ocorreram. Imagens de vigilância capturaram suásticas, insultos raciais e homofóbicas e outras imagens em toda a propriedade da escola.

Ao todo, o Washington Post informa que os adolescentes deixaram 100 marcas de pichação pelo campus, enquanto o Howard County Times contabilizou mais de 50 desenhos espalhados pela propriedade — número também citado pela Procuradoria do Condado de Howard.

Os adolescentes foram acusados por crime de ódio e sentenciados no começo do ano a liberdade condicional, realização de serviço comunitário e a passar fins de semana consecutivos na prisão, variando de nove a 18 semanas. De acordo com o Washington Post, os adolescentes só foram obrigados a cumprir parte de suas respectivas sentenças.

Todos os alunos supostamente picharam algum tipo de conteúdo de ódio, seja homofóbico, racista ou anti-semita. As pichações também tiveram como alvo o diretor de Glenelg, David Burton, que é negro, por meio de ofensa racial.

“Foram 50 atos separados de ódio, então teve pichações anti-semitas e racistas tendo o diretor Burton como alvo. Referências homofóbicas também foram feitas”, disse o procurador Rich Gibson durante uma coletiva de imprensa em abril, segundo informa o Howard County Times. “Isto é um ato de violência que rasga a estrutura de nossa comunidade”.