Se você está em um computador desktop neste momento, provavelmente está usando um mouse. Neste caso, você deveria saudar William English.

English, um engenheiro e pesquisador, morreu em San Rafael, Califórnia, no dia 26 de julho, aos 91 anos de idade, devido a insuficiência respiratória.

Embora seu colega Douglas Englebart seja mais conhecido por ter tido a ideia do mouse para computador, English foi o homem que realmente o fez acontecer.

No final dos anos 1950, os computadores não eram nada parecidos com o que são hoje. Eles eram dispositivos de encaixe que dependiam de cartões perfurados, máquinas de escrever e impressoras.

Foi por volta dessa época, depois de deixar a Marinha, que English encontrou pela primeira vez Englebart no Standford Research Institute (conhecido hoje como SRI International).

A ideia de Englebart era criar um novo tipo de computador onde qualquer um pudesse manipular imagens na tela – um onde fosse possível usar um dispositivo para selecionar imagens e símbolos. Entretanto, de acordo com o New York Times, Englebart teve dificuldades para comunicar a ideia a outros. English era a mente rara que entendia o que Englebart estava tentando fazer, mas também como fazê-lo.

Em 1963, English havia criado um protótipo baseado em notas e esboços rudimentares de Englebart. O primeiro mouse apresentava uma caixa de madeira que abrigava dois “potenciômetros” – mecanismos elétricos que funcionavam rastreando o movimento de duas rodas enquanto elas se moviam através de uma superfície.

Eles decidiram dar ao dispositivo o nome de mouse porque o cursor na tela – apelidado de CAT (gato, em inglês) – parecia estar “perseguindo” o “mouse” (rato) através da tela.

Em 1965, English liderou um projeto patrocinado pela NASA para determinar a melhor maneira de selecionar um ponto na tela de um computador. O mouse ganhou. Mais tarde, enquanto trabalhava no laboratório PARC Xerox nos anos 1970, English desenvolveu o mouse com esfera, que substituiu as rodas por uma esfera móvel.

English também desempenhou um papel fundamental na apresentação histórica de 1968, “The Mother of All Demos” (A Mãe de Todas as Demonstrações). Englebart e English tinham desenvolvido um computador experimental denominado oNLine System (NLS) que tinha de todos os elementos que você encontra hoje na computação pessoal moderna – hipertexto, janelas, gráficos, videoconferência, processamento de texto, etc.

Englebart fez a apresentação de 90 minutos em 9 de dezembro de 1968, mas foi English que fez com que tudo corresse sem problemas nos bastidores. Ele dirigiu toda a produção dos fundos do Auditório Cívico em São Francisco, usando câmeras e microfones para coordenar o vídeo ao vivo, de duas vias, entre o laboratório em Menlo Park e a sala de apresentação.

E como se isso tudo não fosse o suficiente, English também ajudou a adaptar as ideias de Englebart para desenvolver o Xerox Alto enquanto estava na companhia. O Alto serviu mais tarde como inspiração para os sistemas Apple Lisa e Macintosh, assim como para os primeiros PCs Windows da Microsoft.

Da próxima vez que você usar o computador, saúde o herói William English.