Com vários notebooks e um “híbrido” recauchutado (o velho Dell Inspiron Duo, não o novo) no hall de entrada, cheguei à Microsoft hoje cedo para conversar com Robin Goldstein, líder da equipe de engenharia de software da Microsoft. O assunto? Windows 8.

O encontro foi mais um recap das principais novidades que a nova versão do Windows trará, desta vez abrangendo os três métodos de entrada de dados possíveis – a saber, teclado+mouse, touchpad e telas sensíveis a toques. A missão de Robin? Provar, na prática, que o Windows 8 foi projetado para lidar bem com qualquer situação.

As evoluções desde o Developer Preview saltam à vista na versão final, que venho usando há três semanas e, se não se destaca muito com a velha dupla mouse e teclado, pelo menos não fica devendo para o Windows 7. Uma pena que esse método seja o menos… sexy dos três.

Com toques na tela, as coisas fluem naturalmente, reforçando aquela sensação de que a nova porção moderna do Windows 8 foi feita pensando em tablets, híbridos, conversíveis e quaisquer outras categorias que surjam com telas sensíveis a toques.Com o touchpad? É como se os gestos da tela fossem transportados para essa área. Tudo funciona de forma mais intuitiva. Somados esses gestos aos que softwares como o da Synaptis e da Elan já produzem no Windows 7 (pinça, rolagem com dois dedos e outros), não me admiraria se o Windows 8 se mostrasse mais esperto nessa interface do que com o mouse. É uma evolução? Uma quebra de paradigma? Acho, e a mensagem da Microsoft parece seguir esse caminho, que depende de cada usuário. A intenção é ser abrangente e atender aos vários formatos de equipamentos quem usarão o Windows 8. Aquele papo de “sem comprometimentos”.

Robin Goldstein, da Microsoft.

Aproveitei a oportunidade para tocar em algumas feridas e outros ressentimentos com o Windows 8, como a área de trabalho clássica mal feita, ou as maluquices e decisões polêmicas no Internet Explorer “moderno”. Por que ele some quando se configura outro navegador como padrão? Por que embutir o Flash?

Para a primeira pergunta, fiquei sem resposta; a decisão foi tomada por outro time do qual Robin não faz parte. Ela imagina, porém, que tenha algo a ver com a questão de respeitar as decisões do usuário, aquele papo meio Windows 7 de “o usuário no controle”. Sobre o Flash, a ideia é garantir a experiência do usuário na Internet. Robin garantiu enfaticamente que a Microsoft está engajada e apoia irrestritamente o HTML5 e padrões abertos, mas que não pode, ou não quer, privar o usuário de qualquer coisa que ainda esteja em uso. Estamos em um “período de transição”, logo, o Flash ainda se faz necessário. Não para o iOS, e levantei essa bola, mas tudo indica que IE “Flash-less”, mesmo, só na 11ª versão — ou além.

Outra pergunta que havia muito tempo tinha vontade de fazer era acerca da área de trabalho clássica. Ela funciona e, para ambientes produtivos é a que o usuário vê em boa parte do tempo a bordo do Windows 8. Mas parece que faltou… cuidado? Atenção? Há ícones legados do Windows Vista para todos os lados, a mudança do Aero Glass para um visual mais plano (“flattened”) beira o brega e, no geral, tem-se a sensação de trabalho incompleto. O intuito desse aparente descaso, segundo Robin, é manter a familiaridade para o usuário que vem do Windows 7. Estranha essa preocupação quando colocada em perspectiva com o tanto que o Windows 8 mudou em outros aspectos.

No mais, vimos alguns recursos bem incríveis e pouco comentados, como o acesso a fotos em outros dispositivos via Internet. Robin acessou imagens em seu PC usando o SkyDrive como ponte – note a diferença: as fotos não estavam no SkyDrive, ele serviu apenas para conectar o tablet que usava com seu PC. As personalizações do Windows ficam salvas na Conta Microsoft e mudam em tempo real nos dispositivos do usuário – vimos também demonstrações do gênero. Pena que isso não se estenda a apps de terceiros ainda.

Novo, diferente, mas com um pezinho no passado para não assustar os mais céticos, assim se desenha o Windows 8. No fim do papo, perguntei a ela se todas essas novidades, como o novo paradigma de levar o mouse aos cantos da tela para interagir com o sistema, não assustaria os usuários mais leigos, que não acompanham novidades e não esperam tamanha mudança. A analogia dela foi bastante convincente: pense em alguém saindo de um carro mais simples para um melhor equipado. A aceleração, o freio, os recursos e comandos, estão todos lá, apenas um pouco mudados, melhorados. É assim que Robin e, por extensão, a Microsoft vê o Windows 8. Um carrinho bem ajeitado em relação aos anteriores; leva um tempo pra se acostumar, mas a promessa é de um passeio mais confortável.