O YouTube voltou atrás e decidiu que irá permitir que alguns criadores de conteúdo monetizem seus vídeos sobre o coronavírus. Anteriormente, qualquer vídeo que mencionasse a palavra tinha os anúncios removidos de acordo com a política de “conteúdos sensíveis” que categorizava o coronavírus como crise de saúde global (junto com desastres naturais, eventos trágicos e atos terroristas).

A restrição enfureceu os criadores que argumentaram que a decisão de desmonetizar o tema levaria a um efeito inibidor de produção. O analista Linus Sebastian, por exemplo, conseguiu se esquivar do algoritmo em um vídeo sobre o impacto do coronavírus na fabricação de eletrônicos ao colocar rapidamente manchetes com “coronavírus” e aludir a “eventos” na China. Isso porque o canal Linus Tech Tips fala sobre tecnologia – youtubers noticiosos passariam por dificuldades maiores.

“Está ficando claro que essa questão é agora uma parte importante e contínua da conversa diária, e queremos garantir que as organizações noticiosas e os criadores possam continuar produzindo vídeos de qualidade de uma forma sustentável”, afirmou a CEO do YouTube Susan Wojcicki em carta aberta.

A plataforma havia anunciado a decisão de conteúdo sensível em fevereiro, sem muitas explicações. A mensagem era que o YouTube estava priorizando os anunciantes; o rótulo de “conteúdo sensível” se enquadra nas diretrizes de conteúdo “amigável ao anunciante”, e o monitoramento de certas palavras pode evitar que um anúncio de uma marca importante não apareça associado com desinformação.

Isso significa que brincadeiras e a vídeos potencialmente falsos sobre coronavírus podem ganhar dinheiro agora? Não necessariamente. Em uma carta aberta, a CEO do YouTube, Susan Wojcicki, anunciou que a monetização estará aberta a parceiros de notícias e “um número limitado de canais” que “se auto-certificarem com precisão“.

Sob esse sistema, o YouTube irá verificar uma série de itens que indicam os níveis de conteúdo potencialmente ofensivo nos vídeos; a revisão automatizada faz uma determinação; se você discordar dos algoritmos do YouTube, você pode contestar e pedir uma revisão humana. O YouTube recompensará os canais que consistentemente rotularem seus vídeos com precisão, confiando cada vez mais neles para a publicação sem revisão automatizada para os termos relacionados a “coronavírus”.

Não é um sistema perfeito. O hit “Corona Time” que tem feito sucesso no TikTok e que não contém a palavra “coronavírus” no título exibiu anúncios da Organização Mundial da Saúde (OMS) e dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA (CDC) que haviam sido configurados para todos os conteúdos relacionados à infecção. Outro clipe com a mesma música entitulado “Its corona time official song #Coronavirus” com mais de um milhão de visualizações foi desmonetizado. Ou seja, os algoritmos às vezes batem cabeça.