O YouTube foi lançado exatamente há 17 anos, numa época em que não se poderia imaginar de que vídeos teriam o potencial de atingir uma audiência de bilhões de usuários.

Muitos da geração Z –que já nasceram assistindo aos vídeos do YouTube– podem nem saber, mas o mundo digital de 2005 era bem diferente do atual.

Ainda não existiam iPhones, o Facebook tinha acabado de ser lançado, e a maioria das conexões eram realizadas por meio de internet discada.

Nesse cenário, em 14 de fevereiro de 2005, era registrado o domínio do “YouTube.com”, com o objetivo de encorajar pessoas comuns a produzir e disponibilizar vídeos na internet, sob o slogan “Seu Repositório de Vídeo Digital”.

Apesar de ser considerado um projeto ousado, a nova empresa conseguiu levantar um investimento de 3,5 milhões de dólares da empresa de capital de risco Sequoia Capital, e mais 8 milhões alguns meses depois.

O sucesso foi tanto que o Google comprou a empresa cerca de 18 meses depois, por US$ 1,65 bilhão.

Tour pelo zoológico

Fundada por Jawed Karim, Steve Chen e Chad Hurley, a ideia original para a empresa do trio era criar um site de namoros.

Entretanto, a empreitada acabou evoluindo para um site genérico em que era possível assistir e compartilhar vídeos em um navegador de internet sem a necessidade de baixá-los.

O primeiro conteúdo publicado no YouTube foi o “Me at the Zoo”, estrelado por Karim.

O vídeo de baixa qualidade – e de apenas 18 segundos – mostra Karim em frente a um bando de elefantes do zoológico de San Diego, nos Estados Unidos. Até o momento, o vídeo acumula mais de 220 milhões de visualizações e 11 milhões de curtidas.

“Tudo bem, então aqui estamos na frente dos elefantes. A coisa legal sobre esses caras é que eles têm trombas muito, muito longas, e isso é legal. E isso é praticamente tudo o que há a dizer”, afirma ele.

A publicação do vídeo ocorreu um mês antes do lançamento para o público da versão beta da plataforma, em maio de 2005.

Cerca de dois anos depois, em junho de 2007, a plataforma passou a ser disponibilizada internacionalmente, inclusive no Brasil, se tornando rapidamente em um sucesso mundial.

O primeiro vídeo a atingir 1 milhão de visualizações foi registrado em outubro de 2015, com um anúncio viral da Nike que mostrava o jogador brasileiro Ronaldinho recebendo um par de chuteiras.

Mais recentemente, no mês passado, o vídeo do “Baby Shark” se tornou o primeiro a ultrapassar a marca de 10 bilhões de visualizações. Ele superou o “Despacito”, de Luis Fonsi (7,7 bilhões de visualizações), “Johny Jonhny Yes Papa”, da LooLoo Kids (6,1 bilhões); e “Shape of You”, de Ed Sheeran (5,5 bilhões).

A revolução do YouTube

O YouTube foi um divisor de águas na comunicação moderna, ao revolucionar a maneira como as pessoas consomem e produzem conteúdos no ambiente online.

Com um celular e alguns cliques é possível publicar um vídeo que poderá ser visto por qualquer pessoa em qualquer lugar do mundo. Tal tecnologia mudou o comportamento do consumidor, abrindo caminho para o entretenimento doméstico via streaming, que se popularizou ainda mais com a ascensão da Netflix.

A plataforma do YouTube abriu espaço para que criadores de conteúdo alcançassem grandes audiências sem depender de mídias tradicionais, como a televisão, por exemplo. Isso acabou gerando uma extensa safra de novas celebridades e, também, de novos milionários.

É claro, assim como outras plataformas, o YouTube também sofre do mesmo mal de outros ambientes online, servindo de meio para disseminar fake news, alimentar conspirações e violar direitos humanos.

Apesar da ameaça crescente do TikTok, que tem um maior apelo ao público mais jovem, o YouTube ainda se mantém como a principal plataforma de vídeos da atualidade, prometendo lançar novas ferramentas para criadores de conteúdo ao longo de 2022 e se manter relevante no mercado de mídia.