Por essa todo mundo esperava: o Zeebo, console brasileiro que chegou em 2009 com precinho camarada (R$499) e esquema sem mídia física, apenas com download de jogos, está praticamente com os dias contados. A Qualcomm, que investia no aparelho, não irá mais investir no projeto. Como efeito, o ZIS (Zeebo Interactive Studio), em Campinas, também está fechando as portas, e o sonho do console brasileiro está morrendo aos poucos.

Segundo a reportagem de Théo Azevedo, do UOL Jogos, que conversou com alguns dos (agora ex) trabalhadores da ZIS, o quiprocó com a Qualcomm aconteceu pela escolha do sistema operacional do console. O Zeebo rodava uma versão do Brew, sistema desenvolvido pela própria Qualcomm (e que tem até versão para celulares), mas os desenvolvedores alegavam que o hardware não suportava o pesado SO. Eles queriam migrar para o Android, que oferece mais opções de desenvolvimento e, consequentemente, pode ser mais leve. A Qualcomm não gostou nada da ideia e abandonou o barco, deixando o ZIS sozinho na empreitada.

Sem o investimento, o ZIS deve fechar as portas em junho. Ainda segundo a reportagem, a relação entre a proposta do console e dos desenvolvedores já estava estremecida, já que a empresa decidiu investir mais em jogos educacionais, como da Turma da Mônica. A galera do ZIS queria desenvolver jogos comuns, para as massas. Um segundo modelo do aparelho, com foco em crianças e preço de R$299, também não fez sucesso.

A TecToy, que era uma das parceiras do Zeebo em seu lançamento, parece não ter mais interesse na plataforma também. O console está presente também na China, na Índia e no México — e, no último, o fechamento da ZIS deve afetar os próximos passos da empresa, já que os jogos mexicanos também eram desenvolvidos aqui. A Zeebo Inc., empresa que controla o negócio, ainda não se posicionou, mas tudo indica que o console brasileiro não resistirá aos próximos meses. [UOL]