Quando o Departamento do Comércio dos Estados Unidos anunciou que a chinesa ZTE seria banida por sete anos, impedindo que companhias do país usem ou comprem componentes da marca, a situação da quinta maior fabricante de smartphone do mundo parecia feia. Embora a companhia pudesse tentar dar um jeito, o fato é que não sabíamos exatamente o impacto que isso teria nas operações da empresa.

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No entanto, em um documento apresentado nesta quarta-feira (9), a companhia parece estar em apuros, pois anunciou o encerramento de “grandes atividades operacionais” em função do banimento. A ZTE informou no documento que “a partir de agora, a companhia mantém dinheiro em caixa suficiente e cumpre rigorosamente suas obrigações comerciais, sujeitas à conformidade com leis e regulamentos”, o que, essencialmente, significa que a chinesa usará dinheiro depositado para operar e cumprir obrigações contratuais, enquanto tenta achar uma solução para o que virá a seguir.

A ZTE também informou que tem conversado com autoridades dos Estados Unidos “com o objetivo de facilitar uma modificação ou reversão da ordem de negação imposta pelo governo dos Estados Unidos e forjar um resultado positivo ao tentar desenvolver esses assuntos”. Além disso, no último domingo, a companhia registrou um apelo na esperança de tentar rever o banimento do Departamento de Comércio dos EUA. De acordo com a Reuters, o governo chinês tratou do assunto da ZTE junto a uma delegação do governo norte-americano, que visitava Pequim para discutir as recentes tarifas impostas no comércio entre os dois países.

Embora exista uma chance de o banimento ser revertido, tirar ou punir companhias como Huawei e ZTE do mercado parece exatamente o resultado que as políticas recentes do governo dos EUA quer. Antes disso, uma série de declarações de agências de inteligência dos EUA afirmou que os produtos feitos por essas companhias “fornecem a capacidade de conduzir espionagem não-detectada”.

Se a ZTE for forçada de sair do mercado de smartphones, haverá um espaço a ser preenchido, especialmente nos segmentos de entrada e intermediários nos Estados Unidos.

Ainda que a ZTE atue nos Estados Unidos, por aqui, a empresa lançou aparelhos pela última vez em 2016. Já a Huawei, que também enfrenta uma situação delicada nos EUA, lançou seu último smartphone por aqui em 2013, no caso o finíssimo Ascend P6, enquanto mantém uma sólida operação no ramo de telecomunicações com operadoras brasileiras.

[Reuters]

Imagem do topo: janitor/Flickr/CC