A web que perdemos

A indústria de tecnologia e a imprensa que cobre o tema têm tratado o crescimento das redes sociais e dos smartphones sempre conectados como uma legítima vitória para as pessoas comuns, um triunfo da usabilidade e da autocapacitação. Eles raramente falam do que perdemos ao longo desta transição, e eu acho que as pessoas mais […]

A indústria de tecnologia e a imprensa que cobre o tema têm tratado o crescimento das redes sociais e dos smartphones sempre conectados como uma legítima vitória para as pessoas comuns, um triunfo da usabilidade e da autocapacitação. Eles raramente falam do que perdemos ao longo desta transição, e eu acho que as pessoas mais novas talvez nem saibam como a web costumava ser.

Aqui vão algumas pequenas lembranças de uma web que desapareceu quase completamente:

Você pode, teoricamente, criar um software para examinar o código-fonte de centenas de milhares de weblogs, e criar um banco de dados de links entre eles. Se seu programa for esperto o suficiente, ele poderia atualizar as informações em intervalos de poucas horas, adicionando novos links ao seu banco de dados quase em tempo real. Isto é, de fato, exatamente o que Dave Sifry criou com seu incrível Technorati. Enquanto escrevo isso, a ferramenta está monitorando 375 mil blogs e rastreou mais de 38 milhões de links. Se você ainda não deu uma olhada no Technorati, está perdendo muita coisa.

De volta para o futuro

Esta não é a web de hoje. Perdemos as funções principais com as quais costumávamos contar e, pior, abandonamos os valores centrais que eram fundamentais ao mundo da web. Na conta das redes sociais, por outro lado, temos centenas de milhões de novos participantes e a certeza de que elas fizeram com que algumas pessoas ficassem muito ricas.

Mas as redes sociais não mostraram à própria web o respeito e o cuidado que ela merece, como meio que permitiu que elas acontecessem. E elas restringiram as possibilidades da web para uma geração inteira de usuários que não percebem o quanto mais inovadora e importante a experiência deles poderia ser.

Quando você vê mash-ups de dados interessantes hoje, eles frequentemente ainda usam fotos do Flickr, porque os metadados do Instagram são terrivelmente escassos, e o app está apenas na web, e de maneira relutante. Nós achamos desculpas sobre por que não podemos procurar tweets antigos ou nosso próprio conteúdo relevante no Facebook, embora o Technorati desse resultados mais compreensíveis, mesmo sendo feito nas frágeis plataformas de software de seu tempo. Nós sofremos com brigas como o Tumblr não poder encontrar seus amigos de Twitter ou o Facebook não permitir que as fotos do Instagram apareçam no Twitter porque companhias gigantes perseguem seus próprios objetivos ao invés de colaborar para servir melhor os usuários. E temos uma geração de empresários encorajados a fazer produtos mais hostis e fechados porque eles continuam a dar lucro para poucas pessoas que já estão ricas, em vez de permitir que muitas pessoas construam novas e inovadoras oportunidades para elas na própria web.

Nós vamos consertar estas coisas; eu não me preocupo com isso. A indústria da tecnologia, como todas as outras, tem ciclos, e o pêndulo está voltando para baixo, capacitando filosofias que sustentavam a web social de antigamente. Mas enfrentaremos um grande desafio, que é reeducar um bilhão de pessoas sobre o que a web significa, de maneira análoga aos anos que passamos enquanto todo mundo saía da AOL, há uma década atrás, ensinando os usuários que há muito mais na Internet do que a experiência que eles conhecem.

Esta não é uma polêmica comum sobre como “estas redes sociais cheias de grana são ruins!”. Eu sei que o Facebook, o Twitter, o Pinterest e o LinkedIn, entre outros, são ótimos sites, e eles dão muito valor aos usuários. Eles são grandes realizações, de uma perspectiva do software. Mas eles estão baseados em algumas suposições que não são necessariamente corretas. A principal falácia que baseia muitos dos erros deles é que a flexibilidade e o controle dos usuários leva necessariamente a uma complexidade de experiência que afeta o crescimento. E a segunda e mais grave falácia é pensar que exercer extremo controle sobre os usuários é o melhor jeito de maximizar a lucratividade e a sustentabilidade das redes.

O primeiro passo para que estas ilusões caiam por terra é que as pessoas que estão criando a próxima geração de aplicativos sociais aprendam um pouco de história para conhecer esta merda, seja o modelo de negócios do Twitter ou as funções sociais do Google ou qualquer coisa. Nós temos que saber o que foi tentado e falhou, que boas ideias estavam a frente de seu tempo, que oportunidades foram perdidas na atual geração de redes sociais dominantes.

Então, o que eu perdi? O que mais nós perdemos na web social?

Imagem: Shutterstock/nmedia


Anil Dash escreve no blog Dashes.com, onde este post foi originalmente publicado, desde 1999. Ele é cofundador do ThinkUp e do Activate. Você pode segui-lo no Twitter aqui.

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