Buraco na camada de ozônio atinge maior área anual, equivalente a duas vezes o território dos EUA

O buraco na camada de ozônio da atmosfera acaba de atingir seu tamanho máximo anual, segundo especialistas da União Europeia.

Animação mostrando buraco na camada de ozônio na Antártica durante setembro. Crédito: ECMWF

O buraco na camada de ozônio da atmosfera acaba de atingir seu tamanho máximo anual, disseram especialistas do Copernicus Atmosphere Monitoring Service da União Europeia na terça-feira (6). A extensão do buraco sobre a Antártica atingiu 23 milhões de quilômetros quadrados este ano, uma das maiores da história recente. Para dar um contexto, isso é mais do que o dobro do tamanho de todo o território dos Estados Unidos.

O ozônio é a parte da atmosfera do planeta que absorve a maior parte da perigosa radiação ultravioleta vinda do Sol. No entanto, o uso de substâncias destruidoras da camada de ozônio para refrigeração e ar condicionado fazia com que um buraco nessa camada se abrisse anualmente a cada ano. O crescimento alarmante do buraco levou os líderes mundiais a banir esses produtos químicos destruidores na década de 1980, mas o problema ainda levará décadas para ser totalmente revertido.

O buraco na camada de ozônio se forma quando a luz do Sol chega à região da Antártica e reage com os compostos destruidores que a sociedade emitiu ao longo de décadas e que agora estão na estratosfera gelada. Quando as condições da atmosfera são particularmente frias, essa reação química prospera. E este ano, ficou muito, muito frio devido a um vórtice polar particularmente forte sobre a Antártica.

É normal que o tamanho do buraco varie com eventos climáticos, mas ele geralmente atinge seu maior tamanho em outubro. Apesar de isso acontecer todos os anos, não significa que está tudo bem. A extensão máxima de 2020 foi maior e mais profunda do que a média.

Vincent-Henri Peuch, diretor do Copernicus Atmosphere Monitoring Service do ECMWF (Centro Europeu de Previsões Meteorológicas a Médio Prazo), disse em um comunicado que o buraco lembrava um relativamente grande e profundo visto em 2018.

Mas, estranhamente, no ano passado, o buraco estava bem diferente. Sua extensão foi a menor já registrada e ele se fechou com relativa rapidez.

“Há muita variabilidade em até que ponto os eventos do buraco da camada de ozônio se desenvolvem a cada ano”, disse Peuch.

Apesar das más notícias sobre o buraco na camada de ozônio deste ano, o quadro geral é um pouco mais otimista.

Pesquisas das Nações Unidas mostram que ele está diminuindo lentamente. Para recuperar totalmente essa camada e proteger a vida na Terra dos níveis perigosos de radiação ultravioleta, temos que parar urgentemente de colocar na atmosfera produtos químicos que mexem com o ozônio.

Uma forma importante de fazer isso é garantir que todos estejam aderindo ao acordo da ONU conhecido como Protocolo de Montreal, pelo qual as nações se comprometeram a abandonar rapidamente o uso desses produtos químicos. O tratado é um dos acordos ambientais de maior sucesso da história, mas o buraco na camada de ozônio deste ano é um lembrete de que ainda há trabalho a ser feito.

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