Google desiste de construir carro para se concentrar apenas em tecnologia para veículos

Google criou uma nova empresa, chamada Waymo, para desenvolver tecnologia para carros autônomos, em vez de criar toda estrutura de um carro.

Após anos de expectativas e promessas de um futuro com carros autônomos, a Alphabet (empresa dona do Google) está colocando o pé no freio em seu ambicioso projeto de veículo autônomo.

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Uma nova empresa vai seguir uma nova estratégia com o objetivo de colocar nas ruas um carro autônomo sob o nome de Waymo. O anúncio foi feito nesta terça-feira (13) na Califórnia.

Tirar a iniciativa de carros autônomos do guarda-chuva do Google X (onde o projeto ficou por oito anos) e criar uma empresa apenas para isso é uma baita mudança. De fato, se você olhar o site da Waymo ou ler as postagens, o foco é menos em construir um produto para o consumidor, e mais em mostrar software e lições aprendidas das tentativas de colocar esse tipo de veículo nas ruas.

Em sua página de perguntas mais frequentes, ao descrever os próximos passos, a Waymo diz:

Nosso próximo passo será permitir que as pessoas testem carros totalmente autônomos para fazer coisas como entregas ou no transporte para o trabalho.

Nesta segunda-feira (12), o The Information disse que a Alphabet mudaria o foco em criar seu próprio carro autônomo. Em vez disso, a empresa ia fazer parcerias com fabricantes para levar essa tecnologia a veículos com volante. Isto é uma grande mudança para a companhia que anteriormente dizia que os carros autônomos não deveria ter volante, e que prometera um carro autônomo para 2020.

Na matéria do The Information, é dito que a decisão de deixar de lado a ideia de um carro autônomo sem pedais ou volantes foi tomada por Larry Page (CEO da Alphabet) e Ruth Parat (CFO da Alphabet). Eles concluíram que a ideia era “pouco prática”.

Além disso, após quase oito anos de trabalho no projeto, o Google tem pouco a mostrar sobre seus esforços. O pior disso tudo é que os protótipos do Google deram ideias para outras companhias — incluindo Uber e Apple — entrarem no ramo automotivo. Além disso, as próprias fabricantes convencionais passaram a investir nisso.

Ainda segundo o The Information, no início do ano o projeto automotivo passou por uma grande dificuldade. Os protótipos existentes, que são usados há um tempo, começaram a quebrar por causa de todos os testes feitos durante esses anos. Então, com a necessidade de criar um novo protótipo, o Google ficou com poucas opções:

Para seu próximo protótipo, o Google poderia fazer uma em três coisas. A mais ambiciosa seria desenvolver e construir um carro do início ao fim, como fez com o carro koala. A segunda seria trabalhar com uma marca existente e criar um carro que pudesse incorporar os sensores do Google e software como parte do projeto — algo que não demandaria muito dinheiro da parte da montadora. Ou o Google poderia trabalhar com uma fabricante de carro para integrar a tecnologia do Google em um modelo já existente.

No caso, o Google optou pela última opção, concordando que em maio uma parceria com a Fiat Chrysler faria com que eles colocassem a tecnologia da empresa em um SUV da marca.

O Google percebeu que construir seu próprio carro seria difícil de fazer, especialmente na escala necessária para concorrer com companhias que já têm linhas de montagem e fabricação.

Esta também parece ter sido a lição aprendida pela Apple com os esforços de fazer um carro próprio. A empresa agora vai se concentrar em software para rodar nesses veículos. Enfim, fazer um veículo dá um baita trabalho.

Concentrar-se em software e parcerias com outras fabricantes farão que o Google compita pau a pau com a Apple nesta nova categoria de produto.

Concorrente ao Uber autônomo?

O The Information também diz que Larry Page vai mudar a unidade de carro autônomo para fora do Google X — a divisão de apostas da empresa — para uma companhia separada dentro da Alphabet.

Explica o The Information:

Uma mudança estratégica mais ampla permitiu que líderes da Chauffeus, como a unidade de carro autônomo é conhecida internamente, considerassem o lançamento de um serviço de carona com veículos autônomos até o fim de 2017, segundo duas pessoas relacionados com o assunto em discussões internas.

Se a Chauffeur pode lançar o que é chamado de um “serviço de taxi robô” neste tempo depende do desempenho de um novo protótipo de carro autônomo feito pelo Google e a Fiat Chrysler. O primeiro dos protótipos estará nas mãos da Chauffeur até o fim do ano. Se tudo der certo, há uma opção de aumentar a produção de carros autônomos, uma minivan elétrica híbrida chamada “Pacifica” que é vendida por US$ 42.000 sem os hardwares e softwares extras do Google, em centenas de veículos, disse uma pessoa com conhecimento sobre o assunto. Os carros então poderão ser usados neste novo serviço.

Não está claro se este serviço de carro autônomo está relacionado com um suposto competidor ao Uber que o Google está trabalhando. O Uber também tem trabalhado nesta frente, e seu primeiro teste com esse tipo de veículos começou em Pittsburg em agosto.

É claro que criar um serviço de carros autônomos é desafiante. Não só o Google precisa convencer as fabricantes as instalarem seu software (da mesma forma que convence as fabricantes de smartphone a instalarem o Android), mas também precisa rezar para que essas companhias não tenham planos próprios de plataformas de carona. E depois que fizer isso, o Google ainda vai precisar criar sua rede do zero.

Sem contar nos desafios logísticos de entrar nesse mercado e de colocar esses veículos nas ruas. Com todas essas incertezas, o objetivo de 2020 fica cada vez menos provável.

No entanto, há notícias boas na reportagem do The Information: a parceria entre o Google e a Fiat Chrysler está indo bem. A primeira prioridade agora é colocar carros na rua com o software para o Google poder ter mais informações sobre carros autônomos e fazer o programa ainda melhor. E com alguma sorte, em algum dia, nós veremos este software controlando carros autônomos pelas ruas por aí.

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