Mais uma vez, cientistas estão procurando maneiras para explorar uma fronteira terrestre. Pesquisadores da Agência Japonesa para Ciências e Tecnologias Terrestre-Marinhas (JAMSTEC, na sigla em inglês) anunciaram na última semana um plano de escavação para perfurar toda a crosta da Terra, pela primeira vez na história.

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As tentativas humanas de se chegar ao manto da Terra acontecem há mais de 50 anos. Em todo esse tempo, os cientistas nunca conseguiram ir além da crosta. Recentemente, a Joint Oceanographic Institutions for Deep Earth Sampling (Conjunto de Instituições Oceanográficas para Amostragem da Terra, em tradução livre) tentou realizar a tarefa ambiciosa, mas alcançou cerca de 700 metros de profundidade e parou.

A CNN noticiou que os pesquisadores japoneses usarão o navio perfurador Chikyū para alcançar o objetivo. Ele é capaz de alcançar três vezes mais profundidade do que outros navios que já tentaram realizar a missão. Os cientistas precisarão aproveitar cada centímetro dessa máquina: eles planejam estender a broca 4 quilômetros abaixo da superfície do oceano, e em seguida, perfurar quase 6 quilômetros da crosta para finalmente recolher amostras do manto.

Eles planejam lançar um estudo preliminar sobre a costa do Havaí, em setembro. Até que a pesquisa seja conduzida, não tem como estabelecer um cronograma firme para o projeto. No entanto, Natsue Abe, pesquisador da JAMSTEC, disse à CNN que acreditam que 2030 seria a data mais próxima para se iniciar a perfuração. Um local perto da Costa Rica e outro na costa do México também estão sendo considerados como pontos de perfuração em potencial.

Abe afirma que a missão possui diversos objetivos. Em primeiro lugar, os cientistas esperam que, ao estudar o manto, consigam trabalhar em melhores sistemas para prever terremotos. Além disso, querem entender melhor a fronteira entre a crosta e o manto, bem como realizar descobertas sobre a história do nosso planeta. Poderíamos aprender mais sobre o movimento dos continentes, por exemplo. Escavações anteriores descobriram vidas em regiões mais profundas do que estimávamos, também. “Qual é o limite da vida dentro da Terra?”, questiona Abe.

Saberemos mais depois que o estudo preliminar for conduzido em setembro. Por enquanto, as barreiras do projeto são os custos indeterminados e a possibilidade da necessidade de desenvolvimento de novas tecnologias. Um porta-voz da JAMSTEC disse ao Japan News que desenvolvimentos recentes de novos materiais os levaram a acreditar que a tarefa já seja possível.

[CNN, The Japan News]

Imagem do topo: Chikyū, o navio de perfuração japonês. Crédito: Wikipedia