Os chineses da Huawei apresentaram ontem seu primeiro lançamento de smartphone no Brasil em 2012. Calma, ainda não é o Ascend P1, mas o Honor, aparelho que se encaixa mais no mid-range, traz algumas coisas interessantes: o aparelho de 4 polegadas promete uma duração de bateria incomum aos smartphones com Android, e a tática de venda da Huawei será bem diferente — nada de operadoras, o Honor será vendido apenas no varejo e pela loja online da empresa, por R$999. Vale a pena?

Pelo pouco que brincamos com o Honor, dá para dizer que o valor é bem justo em comparação ao que há no mercado. A tela de 4 polegadas tem resolução de 854 por 480 pixels e uma taxa de contraste bem interessante; seu processador é um Qualcomm de 1.4GHz (um núcleo) e 512MB de RAM; e câmera de 8 MP com capacidade de filmagem em 1080p. Ele ainda vem com Android 2.3.6, com promessa de atualização para o Android 4.0 em breve.

Mas o lance é: o Honor não é interessante por causa de suas especificações. Hoje em dia, nenhum smartphone é interessante apenas por suas especificações. E os chineses parecem ter entendido isso. Os executivos fizeram questão de frisar diversas vezes que o trabalho de otimização do software no Honor (e nos demais aparelhos da linha 2012 da empresa) transformou o aparelho em algo muito mais veloz e duradouro do que o normal. Isso significa que mesmo um processador de um núcleo é capaz de lidar com o Android — e nós confirmamos isso no rápido contato, já que a velocidade do aparelho é semelhante (e às vezes até superior) a encontrada em aparelhos com processador dual-core.

A otimização e equilíbrio entre software e hardware também aparece em outros pontos importantes — e que costumam ser um problema em smartphones com Android. Segundo a Huawei, o trabalho de software para economizar bateria resultou em um aparelho com capacidade de aguentar 9 horas de conversação, e até 500 horas em standby — ou 35% mais do que os concorrentes atuais, segundo os chineses. O Engadget, que testou o aparelho recentemente, crava que a duração de bateria realmente impressiona. Outra promessa é a de boot quase instantâneo: do ato de apertar o botão até o aparelho estar pronto para uso, são necessários apenas cinco segundos.

E como o foco da Huawei parece ser mesmo o software, nada mais natural do que seguir a tendência e lançar um serviço na nuvem. Além do espaço interno do aparelho, compradores do Honor ganharão 16GB de espaço no Cloud+, um serviço de storage na nuvem, como o SkyDrive, o Dropbox ou ou iCloud. Completam o pacote de diferenciais a rede HSPA+ — era de se esperar que a Huawei, mais famosa por seu poderio na parte de infraestrutura de telecom, usasse a rede.

A Huawei não falou uma palavra sequer sobre operadoras. O Honor será vendido exclusivamente pela Smart Store, uma proposta de canal direta com o usuário, e pelo varejo. A empresa aposta um bocado nesse site, tanto que já exibe aparelhos como o Ascend P1 e o Ascend D Quad para vendas “em breve”. No entanto, acreditamos que eles só chegarão por aqui no segundo semestre. E o Honor? Digamos que por mil reais, ele pode incomodar bastante alguns de seus concorrentes. [Huawei]