O microscópio eletrônico é um dispositivo científico fascinante – ele usa um feixe de elétrons para iluminar um espécime, aumentando em até 10 milhões de vezes. Com ele, cientistas podem observar os mínimos detalhes das substâncias do mundo que nos cerca – e, assim, encontrar um novo mundo, bastante parecido com o nosso.

Este Tumblr magnífico – editado por Janelle Shane, uma doutoranda de engenharia elétrica da Universidade da Califórnia em San Diego – nos oferece imagens fantásticas de cenas em nanoescala, muitas delas mostrando partículas de poeira e estruturas em nanoescala. Fascinante, mesmo em tamanho tão pequeno, e também é possível verificar cenas que nossos olhos interpretam como familiar – de cenários com montanhas a toupeiras.

A coletânea a seguir conta com nossas imagens favoritas do Tumblr, cada uma delas mostrando uma cena bastante familiar. (Todos os textos e fotos, republicados aqui com permissão, pertencem a Janelle Shane).


Um enorme penhasco

Uma borda quebrada de uma peça de semicondutor, visto a 2.402x em um microscópio eletrônico. Neste tamanho, está claro que a borda não está quebrada, mas tem todos os tipos de rugas e oscilações, todos invisíveis a olho nu, o que faz com que pareça um enorme penhasco. Na verdade, este penhasco é microscópico – o tamanho real dele é menor do que a largura de um fio de cabelo humano.

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Foto: Janelle Shane/USCD/lewisandquark.tumblr.com


Torre do Diabo

Mais formações naturalistas estranhas em uma amostra onde a corrosão de plasma se deu muito, muito errado. Isso deveria ser plano, vazio e perfeitamente suave. Na verdade, ainda parece assim de qualquer outra forma que não seja visto através de um microscópio eletrônico.. uma formiga poderia pisar nisso e nem perceber nada. É o bastante, entretanto, para significar um desastre para esta amostra em particular.

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Foto: Janelle Shane/USCD/lewisandquark.tumblr.com


Em um pedestal

Uma partícula de poeira em um pedestal – esta é minúscula amostra de poeira, com cerca de 1/100 da espessura de um fio de cabelo humano. A poeira criou sue próprio pedestal ao proteger uma pequena área do plasma de alta energia que eu estava usando. Apesar dela (e da área no fundo), a superfície ficou bem suave. Eu dei a esta amostra uma limpeza extra e usei o plasma novamente – depois, as características estranhas foram embora.

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Foto: Janelle Shane/USCD/lewisandquark.tumblr.com


Ponte sobre águas turbulentas

As forças da nanoescala funcionam de maneiras nem um pouco intuitivas algumas vezes. Este muro de semicondutores gravado com plasma de tal forma que o meio foi completamente gravado, deixando o topo do muro flutuando no vazio. Ele é fino e só toca a parte de baixo em algumas partes delicadas, e ainda assim não cai, nem mesmo quando movi a amostra pelo prédio e tirei do microscópio eletrônico. É incrivelmente pequeno – um único vírus poderia passar pela abertura, mas uma bateria não conseguiria, muito menos uma célula humana. A área ao redor é montanhosa por causa de algo que estava na amostra durante a primeira gravação em plasma.

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Foto: Janelle Shane/USCD/lewisandquark.tumblr.com


O planalto irlandês

Formado por faixas pretas de áreas derretidas por laser, intercaladas com regiões menos danificadas e brilhantes. Não tenho certeza do que é a montanha – talvez até restos derretidos de uma partícula de poeira. Você precisa empilhar mil dessas montanhas para conseguir um milímetro.

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Foto: Janelle Shane/USCD/lewisandquark.tumblr.com


Nano Boba Fett?

Isto é um artefato feito de material laser de semicondutores que apareceu durante um processo que deveria separar o material laser. Provavelmente for formado por uma partícula de poeira aterrissando no ponto e protegendo o material por baixo dela do plasma… os restos da poeira devem ser o domo no topo da imagem. A área negra é feita de vidro. Como o vidro é mais um insulador elétrico do que semicondutor, ele parece mais escuro no microscópio eletrônico, já que suga os elétrons em vez de refleti-los. Tudo isso é pequeno demais para nossos olhos verem.

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Foto: Janelle Shane/USCD/lewisandquark.tumblr.com


Isso é uma toupeira

Esta é partícula de poeira, vista a 14.000x em um microscópio eletrônico. É pequena bastante para se encaixar dentro de uma das suas células. Meu laboratório cria as nanoestruturas em salas limpas, projetadas para evitar poeira… em comparação com o tamanho de outras estruturas que estamos fazendo, como aquelas no fundo da imagem, a poeira é imensa.

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Foto: Janelle Shane/USCD/lewisandquark.tumblr.com


Desfiladeiros, rochas e planaltos

A natureza se repete em pequena escala – estas chapadas e planaltos têm apenas 500 nanômetros de altura… se você empilhar 2.000 deles, eles terão um milímetro de altura. Como isso acontece? Toda a paisagem é feita de material laser, que eu estava gravando usando plasma de alta energia. Eu protegi apenas algumas áreas do plasma ao cobri-las. Infelizmente, quando estava preparando a amostra, um pouco de óleo caiu na superfície, e deve ter se espalhado na forma de pequeno rios.

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Foto: Janelle Shane/USCD/lewisandquark.tumblr.com


Muro de Berlim

De alguma forma eu criei nanopessoas. As cabeças são feitas de material laser e o corpo de silício, o que significa que há uma chance remota de alguns deles serem laser. Eles são pequenos (300nm de altura) e uma bactéria normal lembraria um enorme monstro próximo a eles. O muro no meio é algo que criei de propósito – os pequenos nanopilares suurgiram devido a algo estranho que aconteceu durante a formação do muro. É estranho como parece que estão dando espaço ao muro.

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Foto: Janelle Shane/USCD/lewisandquark.tumblr.com


Piruetas de um bisão

Uma partícula de poeira, vista em um microscópio eletrônico. Parece um bisão dando piruetas. A partícula é microscópica – cerca de 40 dessas caberiam dentro de uma célula da sua pele. Ela está posicionada em uma placa de metal usada nas nossas amostras – todas as linhas podem ser arranhões causados por uma pinça.

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Foto: Janelle Shane/USCD/lewisandquark.tumblr.com


Gorgoroth e a Montanha da Perdição

A Montanha Solitária, lar dos nanodragões. A superfície desta amostra está coberta por uma substância montanosa – provavelmente criada quando a camada superior da minha amostra (fotosensível) não suportou bem o plasma reativo que estava soltando nela. Uma parte da superfície se destaca como uma montanha acima do resto, e parece dobrar o espaço ao seu redor. Este fenômeno é conhecido como recarga, e acontece quando a montanha começou a acumular carga negativa do feixe de varredura de elétrons.

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Foto: Janelle Shane/USCD/lewisandquark.tumblr.com


Nuvem carregada

Uma partícula de poeira vista bem de perto. Acontece que a poeira pode ter qualquer forma e tamanho, e esta em especial, com forma de nuvem, é uma raridade – também encontrei montanhas, embarcações e monstros. Nenhuma delas deveria estar lá… mas quando levo minhas amostras para fora da sala limpa, devo esperar encontrar sujeira.

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Foto: Janelle Shane/USCD/lewisandquark.tumblr.com


Medo do desconhecido

Uma acanhada partícula de poeira, vista em um microscópio eletrônico. Como o nosso microscópio não estava em uma sala limpa, foi difícil evitar a sujeira. Ela aparece aleatoriamente, como pequenos seres explorando imensos cenários. No fundo, um dos lados de um pedaço de fita.

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Foto: Janelle Shane/USCD/lewisandquark.tumblr.com


Rota 66

Tinha quase certeza que esta seria mais uma amostra perdida. Em primeiro lugar, nenhuma das chapadas e lombadas deveria estar aí. Mas ficou interessante de se ver, mesmo que significa que algum lixo entrou na amostra e deixou a sua marca enquanto eu fazia meus estudos.

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Foto: Janelle Shane/USCD/lewisandquark.tumblr.com


Constelação

Efeito de película fina que imita o céu noturno. Oque você vê aqui é uma superfície plana que tem alguns pequenos defeitos, coberta com uma película fina e transparente. De acordo com a espessura da película, cores diferentes são refletidas atrás – é o mesmo fenômeno que faz as cores do arco-íris aparecerem em bolhas de sabão.

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Foto: Janelle Shane/USCD/lewisandquark.tumblr.com


Nascer da lua

Um cenários dos sonhos, formado naturalmente pelos defeitos de uma película de polímero. Este fenômeno é chamado de Anel de Newton.

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Foto: Janelle Shane/USCD/lewisandquark.tumblr.com