Independentemente do que veio primeiro, a galinha e o ovo são um grande negócio. Só nos EUA, são criados anualmente nove bilhões de frangos e galinhas, mais do que o número total de seres humanos na Terra.

O problema é que, devido a infecções bacterianas e coisas do tipo, os ovos têm uma taxa natural de insucesso de 1%. Ou seja, morrem 90 milhões de pintos por ano, e os melhores métodos de limpeza acabam expondo os ovos a mais infecções.

No Brasil, onde a produção de frango chegou a 12,64 milhões de toneladas no ano passado, a lavagem de ovos destinados à industrialização é exigida pelo Ministério da Agricultura. Ou seja, temos um problema semelhante. No entanto, este protótipo da Texas A&M que desinfeta ovos poderia poupar a vida de milhões de pintos.

Quando um ovo sai da galinha, ele fica revestido em uma cutícula protetora de cera. Este revestimento impede infecções bacterianas durante a primeira semana (o momento mais crítico para o embrião), obstruindo os poros da casca. O revestimento mais tarde desaparece para facilitar a troca de gases, assim o pinto em desenvolvimento pode respirar.

Mas, no caso de frangos industrializados, os ovos recém-postos são muitas vezes banhados em uma lavagem quente (a cerca de 45°C) com detergente que retira este revestimento, deixando o embrião exposto a todo tipo de bactéria. Sério, você já viu como é um galinheiro industrial? É imundo. Só o fato de molhar os ovos após a lavagem já basta para aumentar significativamente o número de ovos ruins.

Então ao invés de remover a cutícula junto com as bactérias, o Dr. Craig Coufal – especialista em aves na Texas A&M AgriLife Extension Service – e sua equipe criaram um desinfetante de ovo que dispensa o uso do detergente. Em vez disso, a máquina de Coufal usa peróxido de hidrogênio e luz ultravioleta para limpá-los.

Primeiro, os ovos são mergulhados em uma névoa fina de peróxido de hidrogênio, e em seguida são expostos à luz UV. O peróxido interage com os raios UV para gerar íons de hidroxila, que matam os germes sem desintegrar a cutícula.

Os primeiros testes de laboratório foram extremamente promissores, com zero resíduos químicos, nenhuma mudança de textura ou sabor da gema (causados por banhos de detergente a 45°C) e baixas taxas de infecção secundária, graças à cutícula intacta. A máquina ainda está em fase de protótipo, mas a equipe de Coufal trabalha para instalar uma delas em uma incubadora nos próximos meses. [Texas Bionews]