A pandemia Covid-19 vem diminuindo substancialmente nos Estados Unidos, graças a uma campanha de vacinação bem-sucedida. Mas um novo relatório da Associated Press(AP), divulgado na quinta-feira (24), destacou uma clara divisão no país: os americanos ainda estão gravemente doentes e morrendo por causa da doença viral, mas a maioria desses danos está acontecendo entre os que não estão totalmente vacinados.

A AP analisou dados dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) sobre hospitalizações e mortes relacionadas ao coronavírus relatadas em maio de 2021. Durante esse tempo, havia mais de 850 mil hospitalizações documentadas, com apenas cerca de 1.200 ligadas a pessoas que foram totalmente vacinadas (definido como sendo duas semanas após a dose final programada). Em outras palavras, as pessoas totalmente vacinadas representaram apenas cerca de 0,1% de todas as hospitalizações no mês passado. O número de mortos também foi distorcido. Cerca de 18 mil mortes foram relatadas em maio, mas apenas 150 (0,8%) envolveram pessoas totalmente vacinadas.

Os números são baseados em informações um tanto incompletas, uma vez que apenas 45 estados relatam regularmente as chamadas infecções emergentes de pessoas vacinadas. Portanto, pode haver algumas mortes e infecções entre os totalmente vacinados que passam despercebidas.

Ainda assim, os dados estão alinhados com os resultados dos ensaios clínicos das vacinas Covid-19 autorizadas pela agência reguladora americana, FDA, que mostraram proteção notável contra hospitalização e morte; eles também refletem os dados do mundo real coletados em outros países altamente vacinados. No início desta semana, durante um briefing na Casa Branca, a diretora do CDC, Rochelle Walensky observou que “quase todas as mortes, especialmente entre adultos, devido ao vírus, neste momento, poderiam ter sido totalmente evitadas”, já que ela apontou para a ampla disponibilidade de vacinas para idades acima dos 12 anos. Em 24 de junho, 45,6% da população dos EUA estava totalmente vacinada, incluindo 53,3% dos maiores de 12 anos. 

Tem havido preocupação de que a variante Delta do vírus, originalmente encontrada na Índia no início deste ano, possa mudar a trajetória de queda da pandemia em lugares altamente vacinados como os EUA. Casos e hospitalizações aumentaram no Reino Unido nas últimas semanas, assim que a Delta tornou-se a linhagem dominante. Até agora, no entanto, as hospitalizações e mortes no Reino Unido ainda estão em níveis muito mais baixos do que os picos anteriores. Outra pesquisa sugeriu que as vacinas de RNA mais amplamente usadas nos Estados Unidos devem permanecer altamente eficazes contra o Delta e que nenhuma variante descoberta até agora provou escapar completamente da imunidade fornecida pelas vacinas.

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Nos EUA, estima-se que 20% dos novos casos são agora da Delta, e os especialistas projetaram que ela se tornará a cepa dominante em questão de semanas. Não é certo se a Delta levará a mais casos ou doenças graves de Covid-19 nos EUA, quando estabelecida. Mas está claro que a variante e o coronavírus em geral são uma ameaça muito mais grave para as partes dos EUA e do mundo onde as taxas de vacinação ainda estão atrasadas. Como é o caso do Brasil.