As passagens sombrias criadas por vias elevadas estão entre as partes menos amigáveis das nossas cidades. Um lustre de 5 metros foi aprovado pelo conselho da cidade de Vancouver, no Canadá, para iluminar uma dessas passagens esquecidas. E a ideia é meio brilhante.

O artista local Rodney Graham concebeu a peça para a Granville Street Bridge, e está sendo pago por uma construtora como parte de um projeto de condomínio que está sendo construído nas proximidades. A escultura é uma réplica de um design do século 18, mas em vez de pedaços de cristal ficarem precariamente pendurados em um viaduto que vibra constantemente, o lustre será feito com um polímero transparente e LEDs, e vai girar lentamente ao longo do dia.

Faz sentido que uma construtora que está erguendo um condomínio queira melhorar o acesso a seus prédios ao fazer a travessia de um lado para outro da via elevada ser uma experiência mais agradável. Mas essa atração que parece ter saído de Las Vegas não foi bem recebida por parte da população de Vancouver. Esse viaduto serve como lar para moradores de rua – para eles, o lustre faz com que aquilo seja ainda mais uma sala de estar – e parte da elite de sociedade não gostou da ideia, preferindo usar os quase US$ 900.000 investidos no projeto em um programa de limpeza do espaço.

lustre-vancouver-1 lustre-vancouver-2

Perto da minha casa tem um viaduto parecido com esse, e frequentemente eu mudo meu caminho para não precisar passar na frente dele, já que é muito escuro, mas não sei como fazer para melhorar a experiência. Talvez qualquer coisa seja melhor do que a situação atual, mas acredito que um lustre como esse ajudaria em alguma coisa. As pessoas não evitariam mais esse lugar, o que aumentaria o tráfego de pedestres na área. E, obviamente, forneceria iluminação extra, que é o que todas essas estruturas precisam durante a noite.

lustre-vancouver-3

Em Toronto, também no Canadá, um grupo pretende transformar uma área de 1,6 quilômetros abaixo de uma via elevada em “salas cívicas”, que vão ajudar a reconectar bairros desvalorizados com arte, trilhas e espaços de eventos públicos. Mas é a justaposição dissonante aqui que me faz pensar que o lustre funciona como uma peça única. Ele tem força para transformar a vida cotidiana em um espetáculo que as pessoas vão querer assistir (e fotografar para o Instagram, claro). O que significa que vai fazer muito mais do que iluminar um espaço durante a noite – vai transformar um canto esquecido de uma cidade em um ponto de destino dos seus moradores. [CBC via @CasualBrasuell]