A incapacidade da Intel de entrar no mercado móvel tem sido um problema crescente no histórico da empresa, uma ferida cada vez mais dolorida que fez a gigante dos processadores ficar de fora do maior lançamento de categoria de produto depois do laptop. Sim, alguns tablets têm Intel Inside, mas nenhum teve destaque e todos tinham consumo enorme de bateria. Então, como a Intel vai alcançar a concorrência? Ora, atirando a Lei de Moore pela janela e atualizando a linha Atom para velocidades nunca vistas.

Pelo menos, este é o plano. A Intel anunciou hoje que o processador Oak Trail estará em produtos da Lenovo, Fujitsu e mais fabricantes já em maio, trazendo decodificação de vídeo Full-HD (1080p), suporte completo a Flash e – o mais importante – consumo menor de bateria.

Será que teremos os 30 dias em standby que o iPad oferece com seu processador de arquitetura ARM? Não, ainda não. Mas um executivo da Intel deixou bem claro que eles querem alcançar este objetivo dentro dos próximos 12 meses. E dentro dos próximos três anos? A Intel quer fazer três novos avanços no Atom, com novas tecnologias. A Lei de Moore prevê um avanço – duplicação do número de transistores nos chips, pelo mesmo custo – a cada 18 meses, ou apenas dois avanços a cada três anos.

A pergunta é: será rápido o bastante? Porque chegar daqui a um ano onde a concorrência está hoje quer dizer que você está com um ano de atraso. E apesar de o novo Atom serem os primeiros processadores compatíveis com Windows, o Windows não estará pronto para tablets antes do final de 2012.

Mais promissor é o que a Intel mostrou sobre a próxima geração do Atom: o Cedar Trail. Mesmo sendo um chip de netbook, ele tem funcionalidades legais como WiDi (tecnologia para exibir, sem fio, conteúdo de um computador em outra tela), áudio sem fio, boot instantâneo, e sincronização entre PCs. Apesar de alguns nem ligarem mais pros netbooks, depois da chegada em massa dos tablets, é interessante notar que a maioria dessas funções vai aparecer na futura linha de produtos com Atom. Ou seja, nos tablets também. O que imediatamente tornaria a Intel – se os processadores consumirem mesmo menos energia – um concorrente forte nesse mercado.

“Imediatamente”, claro, é algo relativo: vai demorar até que esse tipo de convergência aconteça. Durante esse tempo, muitas fabricantes que usam o ARM estarão trabalhando, inovando, seguindo em frente. Mas o ponto mais importante para a Intel não é chegar à frente da concorrência; é, antes de tudo, concorrer de fato.

Leia o release à imprensa aqui: [Intel]