Pesquisadores estão trabalhando em um novo tipo de sensor químico – um feito de luz e teias de aranha. Este material fino, mas muito forte, tem duas propriedades que o tornam ideal para esse propósito: sua habilidade de canalizar luz a sua reatividade.

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Coloque um laser em uma das extremidades do fio intacto de seda de uma aranha e o feixe vai ser carregado perfeitamente até a outra parte. Assim, a seda não é diferente de um cabo de fibra ótica. Quando falamos em sua composição química, a diferença é considerável. Enquanto os cabos de fibra ótica são feitos de vidro ou plástico, e são usados para evitar a reação com o ambiente ao seu redor, as teias de aranha são feitas de proteínas que reagem a um número considerável de compostos químicos diferentes.

Especificamente, elas reagem com moléculas polares – moléculas que têm uma concentração de carga positiva em uma das extremidades, e carga negativa na outra. Modifique a estrutura das proteínas e você pode mexer na luz que atravessa o fio de seda. Coloque uma fonte de luz (como um laser) em uma das extremidades do fio, e um sensor de luz na outra, e a seda vai reagir se entrar em contato com uma molécula polar.

Cientistas da École Polytechnique Fédérale de Lausanne (EPFL) estão animados com isso por diversos motivos. Em prmeiro lugar, assim que a molécula sai da seda, a teia retorna à sua forma original, permitindo que o sensor seja reutilizado diversas vezes. Em segundo lugar, o sensor é biodegradável. Assim, é possível implantá-lo em “corpos vivos”. Não há necessidade de removê-lo – ele vai se desintegrar inofensivamente.

Mas só a versão verdadeira funciona. Cientistas já tentaram criar teias de aranha sintéticas, mas elas não funcionam bem na canalização da luz, e são muito mais caras do que as produzidas por aranhas.

A pesquisa está em seus estágios iniciais, mas, se tudo correr bem, em breve pessoas poderão ter implantes de detectores moleculares feitos a partir da seda da aranha.

[École Polytechnique Fédérale de Lausanne]

Imagem: John Tann