As abelhas são um dos nossos aliados ecológicos mais importantes, graças a seu papel de garantir que nossas plantas alimentícias se reproduzam. Mas parece que nossos bichinhos barulhentos favoritos estão ficando cansados da nossa palhaçada.

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Uma equipe de pesquisadores australianos descobriu que as abelhas que voam ao redor de áreas arborizadas com biodiversidade tinham taxas metabólicas maiores, ou seja, seus corpos estavam executando funções de preservação da vida mais rapidamente do que as abelhas em áreas desmatadas. Em outras palavras, parece que, em vez de procurar com mais afinco por néctar, as abelhas em áreas urbanas estão contando mais com o alimento de dentro de suas colmeias. Mas se até as abelhas estão desistindo, o que resta de esperança para nós?

Os cientistas mediram as taxas metabólicas e a ingestão de comida alimentando abelhas de seis colmeias com rubídio e sódio radioativos cobertos por doce. Eles colocaram três colmeias em uma área arborizada com flores silvestres australianas e outras três em uma plantação recém-desmatada de pinho. Após alimentá-las, a equipe mediu a quantidade de cada um dos elementos radioativos nas abelhas: quanto mais rubídio usado, maior era o gasto de dióxido de carbono e, portanto, mais energia era usada; enquanto a comparação entre o sódio radioativo na comida com o sódio no néctar ajudou os cientistas a quantificar a ingestão de comida. Acontece que as abelhas na plantação desmatada apresentaram metabolismo significativamente mais lento e comeram significativamente menos do que aquelas que ficaram na floresta.

Esses resultados foram exatamente o oposto do que esperavam; eles achavam que as abelhas na área com menos biodiversidade procurariam mais por comida e gastariam mais energia. O estudo, publicado nesta quarta-feira (8), na Proceedings of the Royal Society B, aponta que as abelhas tipicamente voam menos quando têm colmeias bem abastecidas (assim como todos nós). Os pesquisadores presumiram que a quantidade de recursos nas colmeias seria mesma, mas não controlaram essas quantidades, já que o estudo era uma prova de conceito para determinar o quão bem o método de marcação por elemento radioativo funcionava em insetos.

A conclusão não é um bom presságio para o pessoal preocupado com as abelhas. Noticiamos que os últimos anos têm sido difíceis para as abelhas americana s com a ameaça de um distúrbio do colapso das colônias; a essa altura, provavelmente todos já viram algum meme das “abelhas morrendo globalmente em taxa alarmante”. O distúrbio do colapso das colônias já não é mais um problema tão importante, diz a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos, mas as abelhas sempre serão importantes.

De acordo com o Guardian, 84% de nossas plantações alimentícias dependem de abelhas e insetos para polinização. Obviamente, o estudo tem suas limitações: seis colmeias em um local não é muita coisa, e há vários outros fatores, como o número de abelhas forrageando, o que poderia influenciar a mudança observada nas taxas metabólicas. Além disso, eles usaram apenas abelhas-de-mel, e não outros tipos, para o estudo.

Ainda assim, se o desmatamento está fazendo as abelhas falarem “dane-se isso aqui” e permanecerem em suas colmeias, eu gostaria de achar um jeito de fazer com que elas, sabe, não façam isso. De qualquer forma, não desistam, amiguinhas. Desculpe-nos por arruinar suas casas e tal, mas precisamos de vocês por perto.

[Proceedings of the Royal Society B]

Imagem do topo: Bee Movie