Ontem, às 20h42 do horário local, um trem de alta velocidade bateu na Galícia, na Espanha, matando 80 pessoas e ferindo mais 140, sendo 30 em estado grave. Como as imagens do circuito fechado de TV mostram, o trem estava rápido demais – de acordo com maquinista, a cerca de 190km/h, o dobro da velocidade permitida naquele segmento.

O maquinista, chocado, não conseguia acreditar no que aconteceu após o acidente. “Eu descarrilhei. O que vou fazer? O que vou fazer?“, ele repetia. “Somos todos humanos. Espero que não tenha pessoas mortas.” As autoridades locais ainda não sabe se o motivo do acidente foi erro humano ou técnico. O maquinista de 52 anos – que está trabalhando na empresa há 30 anos e tem um ano de experiência no trajeto – está sob custódia da polícia espanhola.

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De acordo com o jornal espanhol El País, o maquinista estava gritando para o controle principal pelo rádio, alegando que o trem estava a 190km/h momentos antes do acidente. Ele então disse que corria a 200km/h, e, finalmente, pouco antes de fazer a curva, gritou “Estou a 190km/h!“.

Falha no sistema de segurança?

Estre segmento da ferrovia Alvia Madri-Ferrol de alta velocidade não é integrado ao Sistema de Gerenciamento de Tráfego sob trilhos Europeu (ERTMS), uma rede eletrônica que define automaticamente a velocidade dos trens ao redor do velho mundo dependendo da localização deles. A Renfe – principal empresa de trem da Espanha que opera o trem Alvia e o resto dos trens-bala do país – afirma que o percurso tinha outro sistema de controle de velocidade. O sindicato dos operadores de trem acredita que o acidente poderia ser evitado se usasse o ERTMS, que é “mais seguro.

As autoridades agora buscam a caixa preta do trem – chamada teloc – que pode dar informações mais precisas sobre o que realmente ocorreu.

Trem-bala brasileiro

O acidente espanhol pode ter efeito na licitação do trem-bala brasileiro que vai ligar São Paulo ao Rio de Janeiro. A Renfe faz parte de um consórcio espanhol com intenção de entregar uma proposta no dia 16 de agosto.

Acontece que o edital deixa bem claro que empresas responsabilizadas por acidentes fatais nos últimos cinco anos não podem participar da licitação – essa mesma cláusula já eliminou a chinesa China Communications Construction da licitação.

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Fotos via Getty Images