por Bruno Izidro

Todo mundo tem aquele gênero de jogos que, por mais que tente, não consegue gostar ou se dar bem. Para alguns são RPG, para outros são games de esporte ou mesmo jogos de luta. Para mim, são os MOBAs. Desde quando um tal de Defense of The Ancients (mais conhecido como Dota) começou a fazer sucesso nas lan houses, nunca consegui entrar de cabeça nele ou em League of Legends. Apesar de entender porque eles têm tanta popularidade e são o carro-chefe dos eSports, não é o tipo de jogo para mim, saca?



Por isso, imagine o quanto não estava cético e receoso quanto ao recém lançado Battleborn. O jogo do estúdio Gearbox foi vendido como a mistura de um FPS com MOBA. Já imaginou um Borderlands (o jogo anterior do estúdio) com League of Legends? Pois é, a ideia não parecia empolgar muito. Porém, esse meu pré-julgamento se desfez quando comecei a jogar Battleborn. Eu jogava um pouco, depois mais um pouco, uma partida aqui, depois outra, depois mais uma. Quando percebi, eu já estava jogando Battleborn mais do que gostaria de admitir e muito disso é culpa, por incrível que pareça, do seu lado MOBA.

Nascidos para a batalha

Para tirar logo a possível dúvida de lado: Battleborn não é um MOBA em primeira pessoa, mas também não dá para dizer que é puramente um jogo de tiro, porque nem todos os personagens usam armas. Alguns são mais do tipo de lançar projeteis ou poderes para combater os inimigos, sejam as inteligências artificias da campanha da história ou outros jogadores no versus, os dois principais modos do jogo. Por falar em personagens, eles são um dos aspectos vindo dos MOBAs.

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Os Battleborns são bem diferentes entre si, com habilidades e até modos de jogar distintos. Como sempre há os bonecos mais tanque, para ficar na linha de frente, outros com características mais de suporte, para curar o grupo, e por aí vai. No total são 25 personagens, mas somente alguns estão disponíveis no início do jogo, o restante é liberado conforme o nível do jogador aumenta ou ao completar missões. Por exemplo, Isic – o chefe da primeira fase do modo história – fica disponível após derrota-lo.

O game pode até ser jogado sozinho, inclusive no modo versus (onde os outros jogadores são substituídos por bots), mas a graça mesmo está na experiência em co-op, que suporta até cinco jogadores. Já algo que não se pode escolher é a obrigatoriedade de estar online para jogar, mesmo que de maneira solo.

Tem um MOBA no meu FPS

Nas minhas tentativas de jogar League of Legends, um dos poucos aspectos que me atraiu e que realmente achei interessante foi o esquema do personagem ganhar habilidades conforme a partida progride, sendo que depois elas são zeradas a cada novo jogo. Esse foi justamente um dos elementos que Battleborn tomou emprestado dos MOBAs e um que mais influência nas partidas do novo game.

O seu personagem em Battleborn pode evoluir do nível 1 até 10, conforme vai cumprindo os objetivos e derrotando inimigos na partida. A cada novo nível alcançado, é possível escolher entre duas novas habilidades que vão ficar ativas até aquela jogada terminar.

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Já as habilidades variam ente os personagens. Pra Oscar Mike, por exemplo, um dos personagens mais padrão do jogo, há uma escolha ente aumentar o número de balas na arma dele ou aplicar mais danos a cada tiro. Já pra Orendi, fica entre deixar status negativos em quem o poder dela atingir ou que o golpe tenha uma área maior de ataque. É assim até o Battleborn atingir o nível 10.

O legal dessas escolhas é que as combinações das novas habilidades adquiridas podem se encaixar melhor em uma partida ou em outra, dependendo do desafio, o que pode fazer a mesma partida ter progressos distintos, dependendo tanto do personagem escolhido como as combinações de habilidades escolhidas durante o jogo.

O grande mérito de Battleborn – e talvez o que me tenha atraído cada vez mais por ele – é conseguir transportar tão bem alguns desse elemento de MOBAs para fórmula dos shooters. Para falar a verdade, de certo modo esse é o primeiro game a conseguir entender que alguns elementos dos Multiplayer Online Battle Arena podem funcionar com outros gêneros, sem necessariamente copiar o mesmo formato.

Por isso, acabamos tendo um pequeno frescor de novidade para essa já bem sacal experiência de dar uns tiros (ou lançar uns poderes) em videogames. É algo parecido com que hoje praticamente todo jogo de ação faz ao tomar emprestados elementos de RPG ou de estratégia, por exemplo.

Sem fôlego para mais

Dito isso, é bom avisar que enquanto Battleborn consegue mesclar bem os elementos de MOBA para o formato de FPS, o que ele não consegue é utilizar essa união tão bem assim na prática. Sim, eu fui cada vez mais jogando e me interessando pelo game. Porém, depois de algum tempo, chegou um ponto em que empolgação acabou, porque percebi a estrutura falha e sem muita inspiração das partidas.

No modo história – além de ter um enredo que tenta ser importante e engraçado, mas que na real é meio qualquer coisa – a estrutura das missões parecem se limitar a defender algum ponto de ondas de inimigos e ter que passar por mapas bem lineares e desnecessariamente longos, com direito até a muitas vezes mais de um chefe por fase. Isso faz com que algumas partidas durem quase tanto uma partida de League of Legends, só que esse é um aspecto não tão bom assim de se trazer dos MOBAs. Ao final das oito fases do modo história, é certo que você já comece a ficar de saco cheio como eu fiquei.

Mas ainda há o modo versus depois disso, certo? Pois é, não vou mentir e o modo até consegue se diversificar um pouco mais, com três tipos de fase, sempre no estilo mata-mata comum de multiplayers. Um deles, inclusive, que se parece mais com os MOBAs tradicionais, com direito a mínios e tudo. Só que ele não é suficiente para sustentar mais horas de jogo e acabam enjoando também algum tempo depois.

Battleborn não chegou a me fazer ficar interessado em MOBAs, mas essa improvável junção com jogos de tiro até que dá certo, pelo menos nos primeiros momentos do jogo. O formato não tão inspirador das fases foi uma pena, mas já é o primeiro passo para que outros jogos, ou quem sabe uma sequência, não possam trabalhar melhor.

Battleborn está disponível pra PS4, Xbox One e PC com legendas em português. A cópia do jogo para análise foi cedida pela 2K Games.