por Bruno Izidro

Uma das melhores coisas que um game pode fazer é te surpreender positivamente enquanto você joga. Nem falo aqui de momentos impactantes ou plot twists na história (que, quando bem feitos, também são legais), mas de o jogo ser algo que você não esperava e ainda assim agradar. Foi isso o que aconteceu comigo em Gryphon Knight Epic.

Lançado mês passado no Steam, Gryphon Knight é um shoot ‘em up, gênero que também pode ser conhecido pelos mais velhos como “jogo de navinha”, só que substituindo as naves por um grifo e o clima futurista normalmente usados nesses jogos por um ambiente medieval.

O que eu esperava de Gryphon Knight era algo que me lembrasse Thunder Force, Gradius, R-Type e outros clássicos do gênero. Em certa medida ele faz isso, mas o que me surpreendeu foi perceber que o jogo do qual eu me lembrava enquanto jogava não eram esses e sim Mega Man. Um shoot ‘em up medieval que lembra Mega Man? Eu sei, nada parece se encaixar muito bem nesse pensamento, mas basta alguns momentos com o jogo para tudo começar a fazer sentido.

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Em Gryphon Knight controlamos o cavaleiro Sir Oliver e seu grifo Áquila, enquanto ele visita seus antigos companheiros de aventura para pedir ajuda por causa de uma nova ameaça que apareceu no reino. O problema é que alguns personagens foram corrompidos por armas mágicas e agora estão causando destruição em diferentes partes do mundo, que representam as seis fases do jogo.

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É aqui que as coisas começam a se assemelhar com os jogos do robô azul da Capcom. A partir do mapa de Gryphon Knight é possível ir para qualquer fase na ordem que quiser, e cada uma tem uma temática que representa bem o companheiro de Oliver que habita o lugar: o experiente arqueiro elfo reina nas florestas, o guerreiro Viking está nas terras geladas do norte e há até mesmo uma pirata, que fica com seus navios no mar.

Não é nem preciso dizer que cada um deles é o chefe das fases e, quando eles são derrotados, as armas mágicas passam a ser de Sir Oliver. Ou seja, o personagem passa a ter os poderes do chefe que acabou de derrotar. Essa estrutura e características não soam familiares?

Ele é pena e bico… Gryphon Knight!

Esses elementos influenciados por Mega Man junto com a estrutura de shoot ’em up foi o que me prendeu ainda mais em Gryphon Knight, mas não é só isso que o deixa atrativo para jogar. Ele também possui outras qualidades que o fazem ser um bom jogo.

Uma delas são os inimigos únicos que cada mundo possui. No estágio da floresta, por exemplos, há insetos, aranhas e piranhas nos rios com padrões de ataque distintos. Já na fase dos piratas, uma das melhores do jogo, espere bastante navios atirando canhões sem parar. São poucas as vezes em que inimigos se repetem, o que faz com que as fases sejam únicas e interessantes.

Uma em particular, a Torre do Mago Real, chama a atenção não só por ser toda em progressão vertical, mas também por ser uma das poucas a ter mecânicas de pequenos puzzles a serem resolvidos – algo que acontece, inclusive, na luta contra a chefe.

Já deu pra perceber que Gryphon Knight é um shoot ‘em up bem diferente e até mesmo a jogabilidade possui suas particularidades. O game está bem longe de ser um Bullet Hell com sua confusão de tiros e inimigos da tela. Ele possui um ritmo bem mais lento – afinal estamos controlando um grifo e não uma nave superpoderosa – o que pode até causar uma estranheza no início, mas também exige mais atenção nos inimigos e obstáculos pelo cenário.

A intenção, segundo os desenvolvedores, era dar ao jogo uma característica maior de exploração, tanto que uma de suas mecânicas diferenciais é poder mudar o sentido da locomoção do grifo (indo da esquerda pra direita ou vice versa) com um apertar de botão, o que possibilita voltar a partes anteriores da fase que têm áreas secretas e, vez ou outra, caminhos alternativos.

No entanto, ter um ritmo mais lento não significa que Gryphon Knight é um jogo fácil, e ele honra a tradição do desafio alto que encontramos em shoot ‘em ups. O problema é que isso pode ser exagerado. Confesso que só consegui terminar o jogo na dificuldade mais fácil e, mesmo assim, após algumas mortes.

Para (tentar) equilibrar isso um pouco, existe a possibilidade de upgrades para suas armas especiais, além de poder comprar outros itens auxiliares, como escudeiros que podem te proteger, soltar mais tiros ou até reviver o personagem. Outra dica é, de preferência, jogar Gryphon Knight com controle, já que parece que o jogo não foi tão bem pensado assim para a combinação teclado + mouse.

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Algo que também me surpreendeu no jogo, mas bem negativamente, foi ter que voltar para as mesmas fases repetidas vezes só para acumular mais dinheiro e melhorar as armas especiais, já que não conseguia passar de algumas fases do jogo, mesmo no modo (teoricamente) mais fácil, o que demonstra um desbalanceamento do game em sua dificuldade. Fora que não senti necessidade nenhuma de usar mais do que duas das sete armas especiais disponíveis.

Gryphon Knight também é visualmente simples. Ele é um jogo pequeno e resultado de uma bem-sucedida campanha no Kickstarter, onde os desenvolvedores da catarinense Cyber Rhyno Studios conseguiram US$ 19 mil. Essa simplicidade por vezes é demonstrada nas artes de fundo nos cenários e de alguns personagens.

Ainda assim, Gryphon Knight Epic surpreende com as particularidades em sua mecânica e, ainda por cima, entrega um jogo de Mega Man que consegue funcionar perfeitamente como um shoot ‘em up. Ele com certeza vai matar um pouco a saudade dos jogos do gênero.


Gryphon Knight Epic está disponível no Steam por R$ 25,99. A cópia para a análise foi cedida pelo próprio estúdio.