A Telefônica vai aumentar a sua participação na Telco, empresa que controla a Telecom Italia e é dona da TIM. Isso significa que o grupo espanhol Telefônica – dono da Vivo no Brasil – se tornará sócio majoritário da TIM, e, assim, poderá controlar duas operadoras de telefonia móvel no Brasil. Isso não é bom, e o governo federal e a Anatel já se pronunciaram contra a ação.

Paulo Bernardo, ministro das Comunicações, afirmou ontem mesmo que a Telefônica não poderá controlar as duas operadoras por aqui, já que isso é contra a legislação brasileira. “Isso significaria uma concentração muito grande nas mãos de um grupo e iria diminuir um concorrente no mercado, o que, para nós, é uma coisa muito negativa”. De fato, para o consumidor essa concentração não pode ser benéfica. A Vivo possui atualmente 28,7% do mercado de telefonia móvel no Brasil, e a TIM tem 27,2% – elas são líder e vice-líder em telefonia celular por aqui.

Bernardo também disse que o acordo ainda precisaria ser aprovado pela Anatel e pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) por aqui. E é pouco provável que ele seja aprovado, já que a Anatel se pronunciou contra.

À Folha, o conselheiro da Anatel Marcelo Bechara disse que essa concentração é danosa para consumidores. Ele sugere que a TIM seja vendida para outra empresa em vez de passar a ser controlada pela Telefônica por aqui. Provavelmente será essa a saída, e a venda não poderia ser feita para nenhum grupo já estabelecido por aqui (entenda Claro, Oi e Nextel).

E essa opção pode ser bem vista pela própria Telefônica – o grupo espanhol tem uma dívida de cerca de 50 bilhões de euros e poderia usar a venda da Telecom Itália para solucionar parte dessa dívida.

Ainda há muito o que acontecer nessa história, mas o que parece certo é que a TIM que conhecemos hoje não existirá mais dentro de um tempo. Pode ser a hora de um novo player entrar no mercado de telefonia móvel no Brasil tomando o controle da TIM. E quem sabe isso acabe beneficiando os consumidores – talvez uma mudança no cenário das operadoras por aqui faça com que elas se esforcem mais para oferecer serviços de qualidade. Não custa sonhar. [Folha]