Ao que tudo indica, nossa vizinha galáctica mais próxima, Andrômeda, parece ter um histórico de canibalismo. Uma nova pesquisa sugere que ela engoliu outra grande galáxia há cerca de dois bilhões de anos.

A história das galáxias é cheia de caos e incerteza. Mas quanto caos? Novos modelos de formação demonstram que Andrômeda deve ter passado por um processo de fusão com outra, cujas estrelas tinham uma massa combinada de cerca de 25 bilhões de vezes o nosso Sol. Esta galáxia hipotética, cujos restos permanecem como a galáxia satélite M32, teria sido a terceira maior do nosso Grupo Local.

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A fusão explicaria de uma vez só várias observações, de acordo com o artigo publicado na Nature Astronomy. Andrômeda tem uma grande e esticada corrente de estrelas a orbitando, separada dos braços em espiral. Acredita-se que ela se originou de alguma colisão.

A galáxia satélite que a orbita, a M32, possui estrelas que contêm elementos mais pesados que hidrogênio ou hélio em abundância. Andrômeda também tem uma aura de estrelas com excesso de elementos de massa mais elevada. Por fim, também há evidências de que um quinto das estrelas da galáxia foram formadas há dois bilhões de anos, diz a publicação.

Os pesquisadores usaram essas pistas em simulações de computador para modelar uma galáxia como a nossa vizinha, com massa semelhante e uma composição de estrelas de composição mais pesada. O trabalho apontou para uma única colisão com uma grande galáxia, da qual Andrômeda teria aspirado as estrelas, justamente há dois bilhões de anos. Os cientistas a chamaram de M32p, que deu origem à M32.

“Este estudo é realmente uma aplicação maravilhosa das ferramentas modernas”, diz Sarah Tuttle, astrofísica da Universidade de Washington, por e-mail. Sarah não esteve envolvida no estudo. “A combinação de técnicas de simulação e observações é lindamente executada para tentar chegar à verdade sobre um evento que ocorreu há dois bilhões de anos.”

O estudo é apenas um modelo. Apesar de dois bilhões de anos serem relativamente pouco em tempo astronômico, nós obviamente não estávamos lá para ver essa fusão acontecer. Então, se trata de nada mais do que uma boa dedução. “Eu acho que as evidências que foram reunidas no artigo são bastante convincentes. Mesmo assim, seria interessante realizar simulações detalhadas tentando seguir esse modelo para poder validá-lo”, diz Monica Valluri, professora de astronomia da Universidade de Michigan, em um e-mail enviado ao Gizmodo.

Já que não podemos ainda viajar no tempo, os modelos astrofísicos como estes podem revelar alguns capítulos estranhos e potencialmente reais sobre a história do nosso universo.

[Nature Astronomy]

Imagem do topo: Torben Hansen (Wikimedia Commons)