“Caros condôminos. Estaremos aqui dia 14 para fazer a medição do consumo de eletricidade. Se você quiser adiantar o processo e não ser incomodado, faça a leitura do seu relógio de luz e coloque aqui. Obrigado.”  É mais ou menos isso que está escrito neste cartaz, que eu cliquei no elevador de um prédio qualquer em Barcelona mês passado. Não é lindo?

Eu achei essa foto perdida aqui nos arquivos do meu celular hoje. Falamos um bocado sobre “smart grid”, mas eu acho isso um bocado mais “avançado” em termos de sociedade. Confiar que a própria população diga quanto deve pagar é algo bem interessante. Antes que falem “meu Deus, nunca funcionaria no Brasil!”, veja que a coisa não é nada demais (e que funciona mais ou menos assim em alguns lugares já): o contador de eletricidade não pode ser fraudado, e ele nunca é zerado. Então, se a companhia elétrica achar que uma casa X está pagando pouco – em, em todo lugar, há gente querendo fazer isso -, é só fazer a medição e o cara tem de desembolsar a diferença com juros. Como paga-se relativamente pouco por eletricidade na Espanha, a economia que se tem com menos pessoas fazendo um trabalho que toma muito tempo (visitar as casas e anotando medições uma por uma é algo surpreendentemente arcaico hoje) deve compensar o que por ventura é perdido com fraude – além de minimizar os processos contra as companhias elétricas movidos por medições erradas. Na verdade, o agente da companhia de eletricidade sequer precisa ir ao prédio recolher e auto-medição: as pessoas podem relatar o consumo direto no site.

Se o plano da Aneel der certo, a partir do ano que vem vamos pular esta fase onde a auto-medição seja necessária, indo direto para ou o grid esperto que fará todas as aferições. Mas que o exemplo de Barcelona (e provavelmente outros países) é um avanço fantástico, isso é. Alguém conhece algo parecido por aqui?