Há cerca de um mês, a Apple anunciava um novo recurso do aplicativo Fotos com a promessa de escanear as imagens do usuário salvas no iCloud em busca de potencial comportamento suspeito, mais especificamente em conteúdo criminosos envolvendo pornografia infantil. De lá para cá, por mais que seja uma causa nobre, a empresa vem enfrentando uma enxurrada de críticas envolvendo questões de privacidade. E no que depender de uma declaração recente, o problema é mais embaixo.

De acordo com o site 9to5Mac, a Apple confirmou que já escaneia contas do iCloud — no caso, contas de e-mail vinculadas à nuvem — pelo menos desde 2019. O objetivo é o mesmo usado para justificar o anúncio do mês de agosto, em busca de material de abuso sexual infantil. Mas claro que, por se tratar de uma companhia que lida com dados de milhões de pessoas, o usuários foram os últimos a saber.

“A Apple me confirmou que tem escaneado as caixas de entrada e saída do E-mail do iCloud em busca de anexos contendo material de abuso sexual infantil desde 2019. O e-mail não é criptografado. Portanto, verificar os anexos à medida que o e-mail passa pelos servidores da Apple seria uma tarefa trivial. A Apple também indicou que faz uma varredura limitada de outros dados, mas não me disse o que era, exceto para sugerir que estava em uma escala minúscula. A empresa me disse que os “outros dados” não incluem backups do iCloud”, comentou Ben Lovejoy, repórter do 9to5Mac.

Lovejoy também cita uma página de segurança infantil da Apple que, antes de ser arquivada, destacava a varredura de e-mails. No arquivo, a diretora de privacidade da companhia, Jane Horvath, teria mencionado a tecnologia para detectar material criminoso em uma conferência a portas fechadas no início de 2020.

Especialistas e entidades mostram preocupação

A notícia surge em meio a preocupações constantes sobre os novos planos da Apple para lançar o recuso de varredura em iPhones e outros dispositivos iOS. O anúncio das novas funções ligou um sinal de alerta em defensores da privacidade, que por sua vez veem as novas ferramentas como uma forma de ampliar a vigilância da empresa — e, a longo prazo, de governos e autoridades — sobre seus usuários.

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Apesar das contínuas tentativas da empresa de trazer todos a bordo, a moral da Apple com relação a essa funcionalidade não melhorou. Recentemente, milhares de profissionais de TI e cibersegurança assinaram uma petição pedindo que a Apple reverta seus planos. Uma outra carta aberta assinada por mais de 90 grupos políticos diferentes e endereçada ao CEO Tim Cook alega que os recursos “serão usados para censurar a fala protegida, ameaçar a privacidade e a segurança de pessoas em todo o mundo e ter consequências desastrosas para as crianças”.

As novas funções estão programadas para saírem exclusivamente nos Estados Unidos ainda este ano no lançamento do iOS 15 e do iPadOS 15, que devem chegar aos usuários entre setembro e outubro.