Vários relatos começaram a aparecer dizendo que os novos MacBooks Pro apresentavam um desempenho abaixo do esperado. A Apple deu uma resposta a essa questão em um comunicado à imprensa. A empresa confirma os problemas relacionados ao excesso de calor nos novos laptops e promete que lançará uma correção para resolver o problema.

Apple lança MacBook Pro com processador mais novo, melhorias no teclado e até 4 TB de SSD

Diz a publicação: “Depois de testes de desempenho extensivos, com múltiplas cargas de trabalho, identificamos que está faltando uma chave digital no firmware. Isso impacta o sistema de gerenciamento térmico e pode rebaixar as velocidades de clock sob condições pesadas de temperatura no novo MacBook Pro. Um correção para o bug está incluída no macOS High Sierra 10.13.6 Supplemental Update lançado hoje. A instalação é recomendada.”

A companhia também pediu “desculpas a qualquer consumidor que experimentou um desempenho menos do que ótimo em seu novo equipamento”. Ao mesmo tempo, ela bancou as promessas iniciais, dizendo que “os consumidores podem esperar que o novo MacBook Pro de 15 polegadas seja 10% mais rápido, e o novo MacBook Pro de 13 polegadas com Touch Bar seja duas vezes mais rápido, como mostrado nos resultados de performance em nosso site”.

A maior parte da discussão e das especulações girava em torno do modelo topo de linha, o MacBook Pro de 15 polegadas com Intel Core i9. Apesar disso, a Apple diz que a correção deve ajudar a melhorar a performance de todos os modelos, incluindo tanto as versões de 13 quanto as de 15 polegadas, até mesmo aquelas com a CPU Core i7.

Dito isso, vai ser interessante ver de quanto vai ser a melhora depois da atualização de software, já que é tarde demais para tentar resolver as questões relativas a limitações térmicas do fino chassi de alumínio e do resfriamento acoplado. De acordo com as desmontagens realizadas, isso praticamente não mudou em relação aos modelos antigos.

De acordo com o usuário randompersonx, do subreddit do MacBook Pro, parece que um dos maiores problemas com o equipamento é causado pela limitação de potência do VRM (voltage regulator module, ou módulo regulador de tensão, em tradução livre). Quando configurado incorretamente, ele força a CPU a entrar em um ciclo ineficiente entre os clocks máximo e mínimo, o que resulta em um desempenho decepcionante. A solução de software da Apple deve ajudar a resolver essa questão, mas pode diminuir a vida útil do VRM. Além disso, não significa necessariamente que o MacBook Pro será capaz de atingir velocidades semelhantes àquelas atingidas por notebooks mais robustos com a mesma CPU.

Além disso, depois de ouvir sobre os problemas relacionados a limitações térmicas dos novos MacBook Pros e de outros notebooks leves e finos equipados com Core i9, como o XPS 15 da Dell, eu procurei algumas fontes que entendem de questões de temperatura que geralmente vemos em laptops de boa mobilidade com hardware potente para entender melhor a polêmica.

Sob condição de anonimato, eles me disseram que não ficaram nem um pouco surpresos ao saberem que o MacBook Pro com Core i9 estava sofrendo com engasgos. Baseados em seus testes, disseram que simplesmente não existe no mercado a tecnologia de resfriamento necessária para se obter uma performance ótima de um chip quente como o Intel Core i9-8950HK dentro de um laptop com menos de uma polegada de espessura.

A fonte também acrescenta que, durante experimentos com o Core i9, eles só conseguiram atingir cerca de 90% do desempenho máximo do chip com ele instalado em um sistema fino e leve. Isso elimina grande parte das melhorias que a empresa esperava ao oferecer um Core i9 como opção ao Core i7.

A história, portanto, está longe de terminar. Parece que os problemas de performance dos novos MacBooks Pro são muito mais uma miríade de questões do que um único problema. A atualização proposta pela Apple pode ajudar bastante a aliviar algumas das limitações, mas parece improvável que os usuários vejam o computador sustentando velocidades próximas dos 4,8 GHz que aparecem na ficha técnica do processador. E ainda nem estamos falando sobre overclock.

Imagem do topo: Alex Cranz/Gizmodo