A Apple foi processada por duas entidades diferentes na mesma semana. Um dos casos é uma ação coletiva envolvendo um problema do Touch ID; o outro caso lida com violação de patentes no Force Touch (do Apple Watch) e 3D Touch (em iPhones).

Comecemos pelo caso do Touch ID e o famigerado “Erro 53”. Alguns usuários pediram para assistências não-autorizadas trocarem o botão Home de seus iPhones, o que significa substituir o sensor de impressão digital em aparelhos mais modernos (iPhones 5s, 6 e 6s).

Mas, quando isso é feito, o iOS 9 entende que o sensor foi hackeado e exibe o “Erro 53”. A Apple diz que isso apenas desativa o Apple Pay e o sensor de impressões digitais; mas alguns usuários afirmam que isso inutiliza o iPhone por inteiro.

O escritório de advocacia PCVA entrou com uma ação coletiva no Distrito Norte da Califórnia, buscando US$ 5 milhões em danos, reparos gratuitos para os clientes, e uma atualização de software para corrigir o problema no longo prazo. Num comunicado à imprensa, a PVCA diz:

Se a segurança é a principal preocupação, então por que os aparelhos funcionam bem, às vezes por vários meses, sem a atualização de software?… O Erro 53 só aparece quando é baixada uma versão mais recente do sistema operacional da Apple.

A PVCA tem razão ao dizer que a Apple deveria ter notificado a mudança com antecedência aos usuários; a opção mais provável, porém, é que a Apple não imaginava que tornar seus dispositivos mais seguros iria inutilizar dispositivos.

Este não é o único recurso do iOS 9 que rendeu processo à Apple. No ano passado, um casal nos EUA entrou com ação coletiva pedindo US$ 5 milhões em danos relativos ao Assistência Wi-Fi. Ele alterna para a conexão 3G/4G quando sua rede Wi-Fi estiver ruim, e vem silenciosamente acabando com a franquia de dados dos usuários.

3D Touch e Force Touch

Para a Apple, a dor de cabeça não acaba aí. Ela é acusada por uma empresa chamada Immersion de infringir três patentes com as tecnologias Force Touch e 3D Touch.

O Force Touch usa feedback tátil para exibir comandos adicionais na pequena tela do Apple Watch. O smartwatch sente a intensidade do toque: pressione firme no display, e surgem outros controles em apps como Mensagens, Música e Calendário. Isso também permite encerrar um treino, buscar um endereço no Mapas, ou selecionar outro mostrador de relógio.

O 3D Touch funciona de forma semelhante, mas em iPhones. É possível pressionar com força no botão de um app para acessar comandos rápidos: criar nota nova no Evernote, identificar uma música com o Shazam, entre outros. Também é possível obter uma prévia instantânea de emails, links e fotos pressionando o dedo na tela.

3D Touch na mao

A Immersion diz que isso viola as patentes “Sistema de feedback tátil com efeitos armazenados”, “Método e aparelho para proporcionar sensações táteis”, e “Modelo de interatividade para feedback compartilhado em dispositivos móveis”. Tudo isso soa mais ou menos como os recursos da Apple!

O CEO da Immersion, Victor Viegas, diz em comunicado:

Enquanto temos prazer em ver outras empresas na indústria reconhecendo o valor do feedback tátil e o adotando em seus produtos, é importante para nós proteger nosso negócio contra a violação de nossa propriedade intelectual, a fim de preservar o ecossistema que construímos e os investimentos que fizemos para avançar as experiências táteis.

A Immersion quer indenização da Apple, e quer que a ITC (Comissão de Comércio Internacional) barre as vendas do iPhone 6, iPhone 6 Plus, iPhone 6s, iPhone 6s Plus e Apple Watch nos EUA. Será interessante ver se ela consegue ganhar o caso.

[PVCA via 9to5Mac; Immersion via The Next Web]