A organização dos Jogos Olímpicos fez da mudança climática um tema central da edição atual do evento, e há um ótimo motivo para isso. Um novo estudo mostra que, a partir das Olimpíadas de 2084, as temperaturas elevadas vão tornar praticamente impossível que a maioria das cidades do mundo sediem os jogo de verão.

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Em um novo comentário publicado no The Lancet, uma equipe liderada pelos pesquisadores Kirk Smith e John Balmes, da Universidade de Berkeley, nos EUA, alertam para o futuro complicado que aguarda as Olimpíadas. Dentro de 70 anos, só oito cidades do hemisfério norte e fora da Europa vão ter temperaturas indicadas para sediar os jogos, com apenas três ligares na América do Norte sendo capazes de servir como sede olímpica.

Os pesquisadores chegaram a essa conclusão ao desenvolver uma medida que eles chamaram de temperatura global de bulbo úmido (WBGT, na sigla em inglês), que combina temperatura, umidade, radiação de calor, e vento. Essa ferramenta foi usada em conjunto com modelos climáticos para conferir a viabilidade das cidades do futuro sediarem as Olimpíadas.

Para a análise, apenas cidades com ao menos 600.000 habitantes foram consideradas, que é a população mínima exigida para sediar os jogos. Cidades com altitude superior a 1,6 km acima do nível do mar, como a Cidade do México, foram desconsideradas também devido a outros fatores limitantes, como o ar pobre em oxigênio. Os pesquisadores consideram que qualquer cidade com mais de 10% de possibilidade de cancelamento da maratona – um dos eventos mais importantes das Olimpíadas – não podem ser candidatos olímpicos.

“Se você vai gastar bilhões de dólares para sediar um evento, você vai querer um nível de certeza de que não vai precisar cancelá-lo no último minuto”, explicou Smith em um comunicado.

Locais possíveis para os Jogos Olímpicos após 2084

Usando esses critérios, os pesquisadores identificaram oito de 543 cidades fora da Europa ocidental que se classificariam como locais de “baixo risco”, incluindo São Petersburgo na Rússia, Riga na Letônia, Bisqueque no Quirguistão, e Ulan Bator na Mongólia. E apenas três na América do Norte: San Francisco (EUA), Vancouver e Calgary (Canadá). A Europa ocidental é que ofereceria a maior quantidade de cidades de “baixo risco”, com 25 candidatas. A América Latina e a África não ofereceriam nenhuma cidade viável.

Olhando mais adiante para o século 22, os pesquisadores preveem que apenas quatro cidades no hemisfério norte vão poder se candidatar a sediar os jogos: Belfast na Irlanda do Norte, Dublim na Irlanda, e Edimburgo e Glasgow na Escócia.

Os pesquisadores destacaram corretamente que existem algumas saídas para o problema, como realizar os eventos em arenas fechadas, ou então eliminar algumas modalidades que não sejam adequadas ao calor. Mas isso provavelmente alteraria drasticamente o espírito e a complexidade dos jogos.

Conforme o tempo passa, e as ameaças do aquecimento global entram em discussão, fica mais claro que todos os aspectos da existência humana serão afetados.

[The Lancet]

Imagem: NASA Goddard